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Música, sons e cores

Nereu Leme

Ringo Starr

O sonho não acabou!

Mesmo com o fim dos Beatles, em 10 de abril de 1970, quando Paul McCartney anunciou que os Fab Four não voltariam a tocar juntos e John Lennon jogou uma pá de cal nas nossas esperanças ao afirmar que “o sonho acabou” , suas canções continuam vivas em nossas lembranças. E acabam de ser reavivadas pelo álbum Y Not, de Ringo Starr.

Após a dissolução definitiva do grupo, há 40 anos, cada músico seguiu uma carreira independente, até 1980 época em que Lennon foi baleado e morto, e 2001, com a morte de Harrison.

Mas, McCartney e Starr continuam ativos e até cantando juntos.

Os Beatles, ou o que restou deles, gravaram uma música muito especial, no mais puro estilo Beatles: Walk with you, do álbum Y Not, que Ringo Starr lançou em janeiro deste ano. Por quê? Porque não, responde Ringo.
Nessa composição de Starr e Van Dyke Parks, Paul toca contrabaixo e faz back vocal no coro “when I walk with you, when I talk with you, everything will be fine”. Ou seja, tudo fica bem quando caminho com você ou converso com você.

O CD ainda não está disponível no Brasil, pelo menos nas principais lojas de discos, mas pode ser comprado na amazon ou ouvido no youtube. São 10 faixas: Fill in the Blanks, de Richard Starkey e Joe Walsh; Peace Dream, de Starkey, Gary Wright e Gary Nicholson; The Other Side of Liverpool, de Starkey e Dave Stewart, Walk With You, de Starkey e Van Dyke Parks (com Paul McCartney); Time, de Starkey e Stewart; Everyone Wins, (um cover original de 1992) de Starkey e Johnny Warman;
Mystery of the Night, de Starkey e Richard Marx; Can’t Do It Wrong, de Starkey e Gary Burr, Y Not de Starkey e Glen Ballard; e Who’s Your Daddy, de Starkey e Stone.

Y Not é um dos melhores álbuns solo de Ringo, o qual ele assina como produtor, preservando a sonoridade dos antigos companheiros de banda.

Destaques para Peace Dream e Walk With You, respectivamente com Paul no baixo e dividindo os vocais. Y Not é um ótimo candidato ao melhor lançamento de 2010. Y Not é o décimo quinto álbum de estúdio de Ringo Starr, lançado dia 12 de Janeiro de 2010, nos estúdios da Universal. Além do dueto com Paul McCartney, Walk With You, o álbum também com colaborações de Joe Walsh, Joss Stone, Van Dyke Parks, Ben Harper e Richard Marx.

O álbum ficou em 58º lugar da Billboard, com mais de sete mil cópias vendidas nos Estados Unidos, na primeira semana de lançamento. Em Fevereiro de 2010, o álbum já havia vendido mais de 30 mil cópias em todo o mundo.
Esse novo álbum de Ringo Starr coincide com os 40 anos da dissolução do grupo. Claro, uma data para ser lamentada. Mas, como comemoramos tudo, nascimento e morte, aí vão os últimos momentos dos Fab Four, de acordo com a enciclopédia livre Wikipedia.

Último concerto e fim


Em janeiro de 1969, os Beatles iniciaram um projeto cinematográfico que documentaria a realização de sua próxima gravação, originalmente intitulado Get Back. Durante as sessões de gravação, a banda realizou sua última apresentação ao vivo no último andar do edifício da Apple, em Londres, na tarde fria de 30 de janeiro de 1969.

A maior parte da apresentação foi filmada e, posteriormente, incluída no filme Let It Be. A ideia de tocar no telhado do prédio foi de Lennon. O concerto parou a rua inteira do prédio e, rapidamente, o lugar ficou lotado de pessoas; inclusive, os vizinhos da região logo espreitavam das sacadas o concerto. Os Beatles tocaram durante quarenta minutos até a polícia local interferir pedindo que abaixassem o volume dos instrumentos.

Mal Evans explicou que não era qualquer pessoa que estava tocando, e sim os Beatles. A apresentação terminou antes do previsto, e tornou-se famosa. Com o projeto Let It Be temporiariamente suspenso, os Beatles gravaram seu penúltimo álbum, Abbey Road, no verão de 1969. A conclusão da canção “I Want You (She’s So Heavy)” para o álbum em 20 de agosto de 1969 foi a última vez que o quarteto reuniu-se no mesmo estúdio. Lennon anunciou sua saída para o resto do grupo em 20 de setembro, 1969, embora tenha concordado em não anunciar isso publicamente até que determinadas questões jurídicas fossem resolvidas.

Em março de 1970, a sessão de teipes do “Get Back” foram entregues ao produtor americano Phil Spector, que tinha produzido o compacto solo de Lennon – “Instant Karma!”. McCartney anunciou publicamente a dissolução em 10 de abril de 1970, uma semana antes do lançamento de seu primeiro álbum solo, McCartney. As cópias de pré-lançamento incluíram um comunicado à imprensa onde McCartney realizava uma entrevista consigo mesmo, explicando o fim dos Beatles e suas esperanças para o futuro. Em 8 de maio de 1970, a versão de “Get Back” produzida por Spector foi lançada como Let It Be, seguido com o documentário de mesmo nome. Legalmente, a parceria dos Beatles não foi dissolvida até 1975, embora Paul tenha apresentado uma ação para a dissolução em 31 de dezembro de 1970, efetivamente terminando a carreira em conjunto da banda.

Canyon onde tudo aconteceu

E um álbum inédito dos Beatles 

 Nereu Leme  

Vai chover ou vai fazer sol? Quem sabe o que vai acontecer depois da próxima esquina? Prever o tempo pode ser fácil para os meteorologistas, mas o futuro é desafio para Nostradamus. Mesmo ele só acertou 10% do que previu, embora suas centúrias tenham validade até o ano 4000. Agora, vem aí o dia 21 de dezembro de 2012, final do Calendário Maia de Contagem Longa, com o ciclo de 5.125 anos, que alguns interpretam como o fim do mundo. Hollywood aproveitou com o filme 2012.

Na verdade, o que todos fazem é interpretar (como um tradutor de futurologia) as previões proféticas, as passagens bíblicas e as histórias mitológicas e astronômicas, como a colisão do planeta Nibiru com a Terra, também em 2012. Nome de um corpo celeste da mitologia suméria, Nibiru é um planeta do Sistema Solar, citado no poema Enuma Elish, e associado ao deus Marduk (o protetor da cidade da Babilônia), e que geralmente é confundido com o planeta Júpiter.

Bom, voltando para os sons da terra, adivinhar, profetizar ou fazer previsões musicais então, nem Hollywood, Nibiru ou Nostradamus. E, ao que se saiba, Nostradamus não fez nenhuma previsão musical, já que música depende muito do gosto do freguês. E tem gosto pra tudo! Até desgosto musical, sonhos e delírios.

Num desses delírios, que todo beatlemaníaco vai achar que é verdadeiro ou pelo menos gostaria que fosse, um cidadão norte-americano – que prefere ficar incógnito ou ser chamado de James Richards – garante que encontrou um álbum inédito dos Fab Four.

Como? Nem ele sabe direito. Mas, conta uma história maluca de abdução ou outra dimensão.

A história é recente. Aconteceu, segundo relato do próprio, agora em setembro. O sujeito mora em Livermore, Califórnia e disse que numa bela tarde de quarta-feira, estava voltando para casa, quando… Um pouco de suspense vai bem aqui!

Perto de Del Puerto Canion, a oeste de Turlock, ele parou para sua cachorra fazer suas necessidades. Quando a cachorra correu atrás de um coelho e James saiu em seu encalço, tropeçou e caiu inconsciente. Ao acordar, estava em uma Terra paralela ou Universo Paralelo, em companhia de um tal Jonas, que o salvou e o transportou para sua casa em uma máquina do tempo.

Conversa vai, conversa vem, Jonas contou que essas viagens pelo Universo Paralelo são controlados pelo governo, pois existe risco do viajante cair em lugares de risco (no meio do mar, no deserto, no meio de um tiroteio nas favelas do Rio de Janeiro), e que normalmente não carregam nenhum objeto vindo do outro lado – alguma coisa como The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd). Jonas levou James Richards para sua casa, pois achou que o elemento corria risco de vida, acidentado e abandonado num lugar deserto.

No meio desse papo maluco ou interessante (o leitor pode escolher), Jonas falou que gostava dos Beatles e que tinha recebido de uma amiga, algumas fitas cassete (os paralelos não gostam ou não aprovaram o CD, preferindo os antigos estojos de fitas magnéticas). Entre elas, o novo álbum Everyday Chemistry.

James ficou perplexo!

“Mas, dois dos Beatles já morreram – afirmou.

“Aqui eles estão vivos, ou vivinhos da silva, e acabaram de fazer um show outro dia – disse Jonas. E não é baleia, isto é balela, completou o paralelo Jonas.

O norte-americano abduzido pediu a fita de presente – pelo amor de seus deuses reais e paralelos. Porém, o paralelo advertiu James que ele não poderia levar nada de seu mundo, sob risco de alterar o equilíbrio dos universos, também chamados de multiverso, pois os cientistas (os nossos) acreditam que exista mais de um Universo.

James Richards não se fez de rogado. Numa distração de Jonas, roubou a fita e a escondeu em sua casa, em Livermore.

Postou o álbum no site http://www.thebeatlesneverbrokeup.com/. Onde ele colocou até fotos do local da abdução e até da toca do coelho onde ele pisou e caiu.

Baixei as músicas e gostei. São mesmo dos Beatles? São bootlegs? Remasterizações? Fato ou lenda?

Ouça o álbum e me diga quais são suas profecias!

Banda Rock’n Blues toca Beatles (abaixo)

 

 e o passado virar seu aliado

Caixa Beatles

Nereu Leme

Prerrogativa do destino, ou primazia divina, o futuro até pode ser construído – dizem – porém não dominado. Incerto, ou um certo desconhecido, amedronta e muitas vezes surpreende.

Mas o passado, ah, esse eu conheço bem. Controlo! Uso e abuso. Perpasso como diria o poeta. O futuro a Deus pertence bradam os crédulos. O passado, porém, é meu. Lembro dele quando quiser. Escolho momentos, cheiros, sons. Revivo amores, alegrias e prazeres.

Recordo o primeiro beijo. O primeiro disco (LP) de 78 rotações que ganhei e se tornou, naquele momento, a trilha sonora da minha vida.

Tristezas e desatinos deixo de lado. Esqueço. Assim, controlo meu passado. Mando nele. E posso ouvir os novos discos dos Beatles, agora remasterizados (remasterização é a recuperação de áudio ou vídeo com o objetivo de se obter uma qualidade superior) e me lembrar que ouvi a primeira música deles, I Want To Hold Your Hold, em 1963.

Tinha 15 anos e trabalhava como office-boy em São Paulo. Fazia meu horário de almoço no Parque D. Pedro II (quando ainda era um parque arborizado), lendo um livro debaixo de uma dessas árvores e ouvindo meu radinho de pilha, companheiro inseparável em minhas andanças de boy pela cidade, entregando documentos ou pagando contas.

E, no meio da programação, apareceram os Fab Four com o primeiro single a chegar ao Brasil. Fui capturado instantaneamente. Como era boa a vida – mesmo sendo office-boy e trabalhando exaustivamente. Como faz bem para a alma lembrar situações saborosas, com cheiro, movimento e música!

A caixa com os 14 CD remasterizados dos Beatles será lançada no Brasil agora, no dia 25 de setembro (embora mundialmente tenha chegado às lojas no dia 9 do 9 de 2009. O Number Nine de John Lennon.

O custo da obra assusta: R$ 1.290,00. Espero com ansiedade, mas para já ir curtindo, comprei apenas um desses CDs, o Abbey Road, o sétimo e último álbum a ser gravado pelos quatro garotos de Liverpool, exatamente há 40 anos (26 de setembro de l969).

Esse álbum simples custa R$ 35,00 e já vem com fotos exclusivas e notas históricas e de gravação, por exemplo, de que esse é o primeiro e único álbum em cuja capa não aparece nem o nome dos Beatles e nem um título. Apenas a foto dos quatro atravessando a Abbey Road.

Com os 14 CDs, então, vamos – todos – ter o poder de escravizar nossos passados e lembrar do bom e do melhor. Som na caixa e muita imaginação e reminiscências que, de acordo com Platão, são recordações gradativas que o homem tem das idéias que contemplou em estado puro, antes da sua encarnação.

Tenha boas lembranças!

 Patty Boyd

Nereu Leme

Para o bem e para o mal. A globalização mudou as relações comerciais, sociais e culturais em todo o mundo. E, claro, inclusive no Brasil.

Auxiliada pelos modernos sistemas de comunicação, Internet, Orkut, blogs, twitter e nossos maravilhosos tocadores de MP3, tudo ficou instantâneo, de fácil consumo e, muitas vezes, descartável. Longevidade parece ser uma terminologia do passado. Ainda bem que só as “coisas” passam rapidamente, enquanto ao menos nós – seres humanos – ganhamos um pouco mais de tempo de vida. Para o brasileiro, a expectativa de vida passou de 69,3 anos, em 1997, para 72 anos, em 2007, para os homens e 76,5 anos, para as mulheres. Elas são mais românticas. Percebeu?

Alguns se perguntam: mais tempo para quê? Bem, todo mundo quer viver mais e curtir a vida. É só saber escolher o que fazer, onde e como.

Ler e ouvir música são bons passatempos. Meus amigos reclamam que a globalização trouxe mais eficiência, mais tecnologia, porém lamentam que o romantismo ‘descansa em paz’.

Outro dia li alguns comentários sobre o novo livro de Chico Buarque, Leite Derramado, dizendo que como contista ele é um bom letrista e que devia, portanto, continuar fazendo música. Ah, a música, nossa musa.

Também ouvi uma música, na minha preferida Kiss FM, que usa, exageradamente, aquele palavrão inglês – que o norte-americano não tira da boca – insinuando que ele (o compositor) estava se “lixando” para o dinheiro da mulher e para sua fama, usando o dito palavrão. Quanta poesia…

O Frejat, um dos fundadores do Barão Vermelho – e que já foi parceiro de Cazuza – afirmou, em uma entrevista televisiva recente, que a música brasileira anda sem conteúdo. Concordo plenamente. Tirando aqueles ritmos inaudíveis (que não dá nem para comentar) nossa pobre música popular, rock etc anda ruim da cabeça ou doente do pé (trecho do Samba da Minha Terra, de Dorival Caymi).

Com a instantaneidade de tudo, as gravadoras procuram hits de consumo fácil, rápido. Se a música tem alguma batida diferente ou ritmada, quem se importa com o conteúdo? Devem pensar os dirigentes das gravadoras. Eu me importo!

Saudades! Como diz o anjinho do antigo e saudoso seriado Sítio do Pica-Pau Amarelo. Saudades da poesia simples e romântica dos Beatles, como em For You Blue, de George Harrison: Because you’re sweet and lovely girl I love you (porque você é doce e adorável garota eu a amo). Ou o “God” Eric Clapton que seguramente conquistou a ex-mulher do seu amigo George Harrison, Pattie Boyd, com a lírica Wonderful Tonight: And I say yes, you look wonderful tonight (e eu disse sim, você está linda esta noite).

Ela parece um arco-íris. Já pensou dizer isso para uma mulher? É o que exprime a letra de She’s A Rainbow, dos Rolling Stones: She comes in colors everywhere, she combs her hair… She’s like a rainbow. Come in colors in the air. Oh everywhere, she comes in colors…

É a poesia em cores.

Em uma de minhas colunas, no final de 2006, escrevi que Caetano Veloso (no lançamento de seu CD Cê) afirmou que “há canções demais nesse mundo”, o que também explica a falta de qualidade de muitas delas.

Com a globalização e o download de músicas píer to píer (de computador para computador) pode-se escolher as que mais nos agradam e ainda descobrir novidades. E para quem não quer baixar arquivos ilegalmente (o que não deve ser feito mesmo porque é crime de pirataria), existem as rádios digitais como a Lastfm.com.br, em português, com músicas que podem ser apenas ouvidas ou baixadas gratuitamente (legalmente).

 Tem uma tabela indicando os artistas mais ouvidos. Assim, você leitor pode acompanhar a multidão ou fugir dos hits e buscar suas próprias conquistas. Nessa rádio, é possível ainda se registrar como artista e incluir suas composições.

Bom passatempo com bom conteúdo!

beegees 

Nereu Leme 

Em 1969, o homem conquistava a Lua, o Brasil vivia sob o regime militar, era realizado no estado de Nova York o primeiro grande show de rock ao ar livre, o Woodstock, e Beto Rockefeller se tornava a primeira novela de sucesso na televisão brasileira, com o tema I Started a Joke, dos Bee Gees.

Foi quando descobri a melodia dos irmãos Barry Alan Crompton Gibb, o mais velho; Robin Hugh Gibb e Maurice Erneste Gibb, gêmeos, embora eles tenham começado a cantar em 1959. Em 2001 decidiram dar um tempo e , em 2003, no dia 12 de janeiro, morre Maurice Gibb, tecladista do grupo.

A música, não só a dos Bee Gees, tem o dom de nos transportar no tempo e no espaço e nos fazer reviver momentos, emoções e até mesmo relembrar cheiros, os perfumes da época. Quem não se lembra do perfume Pinho Silvestre, o Patchuli, ou o Vivara.

Quem não usou anel de Brucutu, feito com a peça de esguichar água no pára-brisa do Fusca; as calças boca-de-sino; os bailes frenéticos das discotecas, à moda John Travolta. E novamente Bee Gees: Staying Alive.

Só para recordar, as mais tocadas nos anos 60, junto com I Started a Joke, eram As Tears Go By (The Rolling Stones), Bad Moon Risin’ (Creedence Clearwater Revival), Day Tripper (The Beatles), Down on the Corner (Creedence Clearwater Revival), Eight Days a Week (The Beatles), Fool on the Hill (The Beatles), Gloria (Them) e Hang on Sloopy (The McCoys), entre outras.

Com a morte de Maurice, Barry e Robin têm feito carreira solo ou gravado com outros músicos e artistas. Robin lançou quatro singles, no ano passado e, em março de 2009, Barry se apresentou noSound Relief, em Sidney, na Austrália, interpretando os grandes sucessos dos Bee Gees, ao lado de Olivia Newton-John. Ambos estão trabalhando em um musical a ser lançado e há rumores de que pretendem se unir novamente como Bee Gees.

Enquanto isso, na sala de justiça… vamos curtindo os covers. Aliás, tem um deles se apresentando no Brasil, neste mês de julho (o que me estimulou a escrever sobre os Gibb) The Australian Bee Gees (pelo menos são da terra onde cresceram os originais) e um brasileiro verde e amarelo (composto por três rapazes paulistanos), Bee Gees Alive, eleito na Europa, em 2003, como a mais completa e a melhor banda tributo aos Bee Gees do mundo.

No caso dos originais do samba, quer dizer, dos Bee Gees verdadeiros, nascidos em Douglas, na Ilha de Man (Inglaterra), Bary em 1946 e os gêmeos Maurice (falecido) e Robin, em 1949, a carreira começou mesmo depois de um pequeno desastre: Em dezembro de1957, a irmã mais velha Lesley ganhou um disco e os irmãos decidiram, como sempre faziam, cantar por cima dele quando fossem se apresentar no cinema Gaumont. No caminho, até o lugar da apresentação Maurice tropeçou, o disco caiu e se quebrou. Eles foram obrigados a cantara a cappella, dando assim início à belíssima carreira vocal dos três irmãos.

Viveram em Man e Manchester (Inglaterra) e depois na Austrália. Se separaram durante algum tempo em 1970, gravaram rock, country, soul e disco music.

O primeiro single mundial da banda, lançado pela Polydor, foi New York Mining Disaster 1941, em abril de1967. Mas, a canção que realmente lançou o trio ao estrelato foi “Massachusetts”, denovembro de 1967, que foi o primeiro single a chegar ao topo das paradas mundiais, em mais de dez países.

Até o fim dos anos 1960, os Bee Gees fizeram rock, com influências country e soul e letras românticas. Como To Love Somebody, em 1967; Words” e “I’ve Gotta Get a Message To You”, em 1968; além de I Started a Joke, a primeira canção dos Bee Gees a chegar no primeiro lugar no Brasil, em 1968. Depois, partiram para a disco music, com toda a competência.

Agora, é torcer para que os dois remanescentes voltem a cantar juntos ou que os covers sejam realmente bons. Pelo menos um deles veio ao Brasil e o outro é brasileiro. Staying Alive!

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Nereu Leme

Ho love kids? E as crianças respondem: “Charlie Waffles”, personagem do ator Charlie Sheen, em um dos episódios da série Two and a Half Man, da Warner Channel. Nesse episódio, Quem Ama as Crianças, ele canta ao piano, embriagado, uma série de músicas politicamente incorretas, para uma platéia de crianças animadas. Sem muito discernimento, as crianças se divertem com as baboseiras de Waffles – nome fantasia que ele emprestou daquela massa de farinha e ovos feita numa sanduicheira elétrica.

Mas, esse é só um episódio cômico, pois não se pode menosprezar as crianças que são grandes consumidores. E por serem geralmente muito sinceras, têm o poder de fazer o sucesso de algum produto e garantir sua continuidade na fase da adolescência ou mesmo adulta. Por isso, é preciso mesmo amar as crianças, sem demagogia.

 Um desses fenômenos catapultados para a fama pelas crianças foi a série de filmes da Disney, o High School Musical, que já está no terceiro episódio. As crianças sabem o que querem e por esse motivo resolvi escrever uma coluna para elas – baixinhos, altinhos e crescidinhos – contando a trajetória de um de seus ídolos.

O primeiro High School Musical, que lançou Zac Efron e Vanessa Anne Hudgens, no papel de Troy e Gabriella, além dos demais integrantes (alguns melhores do que os dois, como Ashely Tisdale, a Sharpay), em janeiro de 2006, apresentava os adolescentes na casa dos 20 anos. Para o americano, a adolescência (teen age) vai dos 13 (thirteen) aos 19 anos (nineteen).

As crianças – creiam – realmente amam a série. Talvez até por quererem chegar logo à adolescência, elas se espelham nos mais velhos. A trilha sonora dos dois primeiros filmes, por exemplo, vendeu mais de 15 milhões de cópias. O terceiro já está nas lojas desde final do ano passado.

Só que os ídolos também crescem. Ficam inadequados para o papel de adolescente e buscam assumir outros personagens. E se a criança se identificou com seu ídolo, pode crescer sendo fiel à sua nova carreira. O ator principal, Zac, vai fazer 22 anos em outubro deste ano e Vanessa 21, em dezembro. Ashley, a mais velha, fará 24 anos agora em julho.

Aliás, Ashley – um dos ídolos dessa garotada – já acordou para o tempo. Diz que “tenho 23 anos e não sou apenas a loirinha bonitinha que vocês conhecem da Disney”. Por isso, quer cantar como gente grande. Lança seu segundo álbum, esperado pelos fãs – ela já tem uma legião e site próprio – agora, no dia 16 de junho, pela Warner Bros. Records, intitulado Guilty Pleasure.

A faixa single It’s Alright, it’s Ok já pode ser ouvida nas rádios digitais, como a www.lastfm.com, no iTunes ou no próprio site da Tizz, como gosta de ser chamada.

Guilty Pleasure, segundo a gravadora, é reflexo de uma garota que está crescendo e que mostra em músicas, como o primeiro single “It’s Alright, It’s OK”, um corajoso rompimento, sobre estar solteira e no controle de sua própria vida pela primeira vez.

Trabalhando com produtores e compositores famosos, Tisdale coescreveu diversas faixas em Guilty Pleasure, incluindo “Acting Out”, cuja letra poderia servir como a declaração da missão do álbum: “Let me out of this cage / I’m not gonna hold back / I’m gonna break these chains / I’m taking control now / Gonna give you something to talk about / It’s another side of me I’m acting out.” (“Me deixe sair dessa gaiola / Vou resistir / Vou quebrar essas correntes / Estou assumindo o controle agora / Vou te dar algo sobre o que falar / É um outro lado de mim que estou revelando”).

Ela também é parceira em “Overrated”, sobre não mudar sua personalidade por causa de um cara, e de duas baladas, “What If” e “Me Without You”. Outro destaque do álbum é a elegante e segura “Masquerade”, talvez a canção mais sofisticada que Tisdale gravou até hoje.

Para as crianças de todas as idades, fãs de carteirinha, resta conferir!

 

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Nereu Leme

Música tem cor, cheiro, forma e influências regionais. E instrumentos originais criados a partir do tipo de expressão cultural de um povo. Um desses instrumentos, com nome estranho, mas que é a cara do povo havaiano, é o Ukulele, que no idioma do Havaí significa pulga saltadora. Mais parece um brinquedo ou um instrumento para criança. Mas, quem toca nele se apaixona.

É especial, com um som melódico semelhante a um pequeno violão. Tem apenas quatro cordas de naylon afinadas em , mi, e sol. A sua escala é composta por 17 trastes, como o cavaquinho, aliás, de quem é primo distante.

O meu ukulele, que meu amigo Paulo Corradini trouxe de Londres, chora como gente grande, como um violão, ou como uma guitarra. No YouTube encontrei o vídeo de um músico amador tocando While My Guitar Gentle Weeps, que ele chamou de While My Ukulele Gentle Weeps.

É claro que as melodias executadas nesse instrumento, com menos recursos que um violão ou uma guitarra, fiquem mais simples, sem muitas passagens ou notas dissonantes. A intenção, no entanto, é outra. É fazer a batida folclórica havaiana, que se aproxima um pouco do raggae jamaicano dos anos 60.

O ukulele ou ukelele, também muitas vezes chamado erroneamente de guitarra havaiana, tem origem em dois instrumentos tradicionais da Ilha da Madeira. O machete madeirense (também conhecido por braguinha, que por sua vez tem origens no cavaquinho português) e o rajão (viola de cinco cordas da Madeira), que foram levados pelos madeirenses quando emigraram para o Havaí para trabalhar no cultivo da cana-de-açúcar naquelas ilhas.

O ukulele é principalmente utilizado na música nativa do Havaí, mas nas décadas de 1930 e 1940 foi utilizado por cantores e humoristas britânicos e norte-americanos, mais notadamente George Formby. George Harrison utilizou o instrumento com destaque em várias músicas de seu álbum “Brainwashed“, lançado postumamente. Uma delas é Between The Devil And The Deep Blue Sea. A mãe de John Lennon, Júlia Lennon, além de tocar banjo (que ensinou a John) também tocava um pouco de ukulele.

Na atualidade, quatro músicos ainda usam o instrumento como o cantor, compositor e guitarrista sueco Jens Lekman, o multi-instrumentista britânico Patrick Wolf, o cantor americano Zach Condon dos Beirut, e a cantora de Nova Iorque, Julia Nunes. Eddie Vedder, da banda Pearl Jam, só usa um ukelele em algumas apresentações, e a cantora francesa Soko também se apresenta com o instrumento em algumas canções.

O uso do ukulele não se limita ao Havaí ou aos Estados Unidos e Inglaterra. No Brasil, a cantora Marisa Monte incluiu o instrumento em seu recente álbum Infinito ao Meu Redor.

Mas, o grande intérprete, compositor e músico de Ukulele foi o havaiano Israel Kamakawiwo’ole, também conhecido como “Braddah IZ”(20 de Maio de 195926 de Junho de 1997).

No Havai, sempre foi famoso não só pela música mas pelas letras que exprimiam o amor pela sua cultura e raízes (Israel era descendente de uma linhagem pura de nativos havaianos). Também nunca ocultou a sua posição a favor da independência do Havai e em defesa dos direitos dos havaianos.

Um de seus álbuns mais famosos foi “Facing the Future”, de 1993, que o lançou para a fama mundial, com o tema “Over the Rainbow/What a Wonderful World”, onde apenas se ouvem a sua voz suave acompanhada pelo seu ukulele.

Durante sua carreira musical, Iz enfrentou muitos problemas de saúde relacionados com o seu peso excessivo. Ele chegou a pesar 343 kg, com 1,88 m de altura. Aos 38 anos, faleceu devido a problemas respiratórios causados pela obesidade mórbida.

Porém, em todos os cantos do Havai, ainda se escuta sua música.

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1001 discos para ouvir antes de morrer

Nereu Leme

 

Os discos são a trilha sonora de nossas vidas, como bem definiu Robert Dimery, diretor-geral da obra em questão. Alguns discos, principalmente os de vinil, nos acompanham pela vida inteira. São marco especial de nossa adolescência, capturam o momento do primeiro amor, nos remetem a acontecimentos memoráveis. Resgatam cheiros, lugares In My Life.

Depois de 1001 lugares para visitar antes de morrer e 1001 filmes para ver, agora chega às livrarias 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer.

Lançado no final do ano passado, 1001 discos para ouvir antes de morrer, foi selecionado por 90 jornalistas e críticos de música internacionalmente reconhecidos. Os grandes discos lançados nos últimos 50 anos estão nesse livro com 960 páginas e mais de 900 imagens de álbuns, cantores e bandas. Começa com o rei da voz, Frank Sinatra, e logo em seguida enverada pelos caminhos do rock, com o primeiro álbum do rei Elvis Presley, lançado em 13 de março de 1956, com Blue Suede Shoes e I Got a Woman, uma composição clássica de Ray Charles. Aliás, Michael Lydon, editor e co-fundador da Rolling Stone – que fez o prefácio do livro – disse que logo após a morte de Ray Charles ouviu seu discos Genius Love Company e chorou.

Abrangendo desde as origens do rock’n roll dos anos 50 aos mais recentes sucessos, este livro pode nos guiar por diferentes tendências sonoras e mostrar o poder da música de representar as aspirações e os sentimentos de toda uma geração.

Embora grande parte do livro seja dedicada ao rock e ao pop, há também dezenas de boas indicações de jazz, blues, punk, heavy metal, disco, soul, hip-hop, música experimental, world music, dance e muitos outros estilos.

Cada álbum citado é contextualizado historicamente e os comentários sobre as músicas são acompanhados de curiosidades sobre as gravações, os bastidores ou a vida dos artistas. Nesse livro, com mais de 900 imagens, pode-se encontrar discos que alguns consideram irrelevantes e descobrir pérolas que não imaginávamos existir, como por exemplo Tragic Songs Of Life, do The Louvin Brothers, de 1956. Essa dupla country inspirou os The Everly Brothers, que por sua vez inspiraram o vocal dos Beatles. John e Paul – quem diria – queriam formar uma dupla, antes dos Beatles se materializarem . Em A Date With The Everly Brothers, de 1960, eles cantam, por exemplo, a canção Love Hurts, que nos acostumamos a ouvir com o conjunto Nazareth ou Rod Stewart.

Os grandes discos lançados nos últimos 50 anos como What’s Going On, de Marvin Gaye, ao extraordinário álbum conceitual de David Bowie, The Rise And Fall Of Ziggy Stardust, passando por inúmeros outros.

1001 discos explora a fundo a história da música universal e apresenta ícones tão diversos quanto Beach Boys e Nirvana. Além de álbuns e artistas já consagrados, pode-se encontrar referências mais exóticas, como o Einstürzende Neubauten e o Aphex Twin.

O editor do livro destaca algumas curiosidades como o que é a estranha participação de Paul McCartney em Rings Around the World do Super Fury Animals. No disco aparece o som de Paul mastigando aipo.

Qual o seu disco preferido? Que tipo de recordação desperta? Você já fez sua lista dos 1001 discos para ouvir antes de morrer? Vale à pena começar.

 

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  Sofrimento, drogas, homossexualismo e rock and roll

Nereu Leme

 

Foi-se o tempo em que rebeldia podia ser traduzida por “drogas, sexo e rock and roll”. Rebeldia e genialidade – aquela com a qual aprendemos conviver no show business, desde a invenção do rock’n roll e o surgimento dos Fab Four (The Beatles) – estão ganhando novas tintas vermelhas como sangue e pretas como os escândalos.

Drogas e rock and roll ainda estão associados. Mas o sexo deve ser mudado para homossexualismo ou bissexualismo, para ser mais brando.

Mais como curiosidade do que como arte, e que pode irritar os beatlemaníacos como eu, principalmente pelo fato do acusado não poder mais se defender, essas insinuações fazem parte do livro de Philip Norman, jornalista e escritor inglês de 66 anos que já escreveu as biografias dos Beatles, de Buddy Holly, dos Rolling Stones e de Elton John.

Em seu novo livro, “John Lennon: a vida”, Philip Norman faz uma série de insinuações sobre o eterno líder dos Quatro Rapazes de Liverpool, inclusive sugerindo que ele tinha tendências homossexuais ou bissexuais. O livro foi lançado em outubro de 2008 nos Estados Unidos e já chegou ao Brasil (traduzido) em março deste ano. Com 851 páginas, já está disponível no Brasil, nas grandes livrarias.

Norman atribui essas tendências homossexuais aos momentos difíceis vividos por John Winston Lennon, nascido em 8 de outubro de 1940, em Liverpol (UK) e morto em 8 de dezembro de 1980, em Nova York (EUA). O livro mostra a complexa personalidade de John Lennon, que nasceu num lar conturbado e admitiu para amigos ter chegado perto de fazer sexo com a própria mãe na adolescência.

Philip Norman descreve John como bissexual e apaixonado por McCartney. Lennon – segundo o autor da biografia – tinha ainda uma fixação estranha pelo amigo Stuart Stucliffe, o Stu, e fez uma estranha viagem de 10 dias para a Espanha com o empresário da banda, Brian Epstein, gay assumido. No retorno, o próprio Lennon costumava brincar sobre seu relacionamento íntimo com Epstein. Sempre achamos que era mesmo apenas brincadeira.

O livro também mostra John como um encrenqueiro na escola. E quando Paul McCartney se juntou ao grupo Quarrymen, em 6 de julho de 1957 (o grupo foi fundado por Lennon em março desse ano), seus pais o alertaram de que ele teria problemas andando com John.

John Lennon cresceu num subúrbio de Liverpool após o fim da Segunda Guerra. Seu pai, Alfred Lennon, era mercador marítimo e passava longas temporadas fora de casa. Numa dessas ausências, sua mulher Júlia, engravidou de um soldado galês. O episódio ocasionou a separação do casal. Depois disso Julia passou a viver com Bobby Dykins, um garçom de hotel que Lennon odiava, com quem teve outras duas filhas, irmãs de Lennon por parte de mãe.

A primeira crise marcante da vida de John Lennon foi quando seu pai Alfred (ou Alf) o seqüestrou com a desculpa de levar o filho para comprar roupas. Depois de três semanas, o golpe não deu certo e Lennon voltou para casa com Júlia.

A irmã mais velha de Júlia, Mary Elizabeth Smith, a Mimi, foi quem criou John. Enfermeira casada com o leiteiro George, Mimi cuidou de John como se ele fosse seu filho, embora ele encontrasse Júlia regularmente e a chamasse de mãe. Mimi reprovava  idéia de John se tornar artista. Dizia que fazer música não o levaria a lugar algum, além de ter o hábito de jogar suas poesias e desenhos no lixo.

Aos 15 anos, John perde o tio George (que ele considerava um segundo pai). Três anos depois, perde a mãe, atropelada por um policial alcoolizado. John era fascinado pela mãe, a única pessoa que entendia seus dotes musicais. Ela cantava e tocava banjo e o ensinou a tocar músicas de Elvis Presley.

Lennon sempre foi mesmo controverso. Até agora, depois de morto. Teve passagens contundentes como “somos mais populares que Jesus”, em 1966 para o jornal London Evening; ou quando disse numa apresentação à corte inglesa “quem estiver sentado nos lugares mais baratos bata palmas, os demais chacoalhem as jóias”. Ou quando George Harrison  pediu para ele opinar sobre uma composição sua disse: “não basta eu ter que corrigir as músicas do Paul agora vou ter que corrigir as suas também”. Ou ainda quando afirmou que a única coisa boa que Paul fez foi “Yesterday”.

E muitas outras, depois do fim dos Beatles, em 1970, Lennon continuou suas controvérsias com ativista político pela paz. Nunca foi feito um concerto para John, como foi feito para George Harrison.

McCartney contestou o livro. Em entrevista ao tablóide inglês The Sun, disse que não acredita na história de que John Lennon tinha fantasias sexuais com ele. “Eu não acho que os rumores sejam verdadeiros. John nunca tentou nada comigo. Se ele tinha alguma tendência gay e vivia embriagado, eu o teria descoberto pelo menos uma vez”, completou.

I don’t want to spoil the party, eu não quero estragar a festa! Boa leitura.

 

bob-dylan 

Sinal dos tempos, a década atual não produziu muita coisa

Nereu Leme

Sinal dos tempos. Quase no final da primeira década do terceiro milênio não vejo e nem ouço nada de novo no final do túnel, ou como disse o velho e bom Bob Dylan em seu último disco, na música Beyond the Horizon (além do horizonte, seguindo o sol).

Revisitando uma longa lista de grupos de rock e roqueiros – feita com a ajuda inestimável do Wikipédia – percebi que nesta década de 2000 nada ou quase nada surgiu na constelação musical internacional.

Alguns poucos registros são para solistas ou conjuntos pouco conhecidos como Avril Lavigne, cantora canadense de pop rock, surgida em 2002; os ingleses Franz Ferdinand e Gorillaz, indie rock e rock alternativo, em 2001; e os também ingleses McFly, pop rock, e Panic at the Disc, rock alternativo, ambos surgidos em 2004.

Desde as décadas de 40 e 50, com Bill Haley e Budy Holly, que surgiram em 1946 cantando rockabilly, e depois rock and roll, a partir do nascimento do rock em 1948, passando por Elvis Presley, em 1953, Chuck Berry, em 1955 e Bob Dylan, em 1959 (entre outros), a grande revolução musical do século 20, aconteceu na década de 60 com Beatles, Beach Boys, The Animals, The Hollies, The Rolling Stones, The Birds, Lynyrd Skynyrd, The Who, The Doors, Pink Floyd, Cream, Jimmy Hendrix, Creedence Clearwater Revival, Genesis, Steppenwolf, The Stooges, Black Sabbath, Deep Purple, Grand Fundk Railroad, Jethro Tull, Led Zeppelin, Yes, Nazareth, The Allman Brothers Band, Crosby, Stills, Nash & Young, Focus, Judas Priest, Uriah Heep, Simon & Garfunkel, apenas para lembrar as figurinhas mais carimbadas.

A década seguinte, de 70, ainda tem alguma coisa boa, como Aerosmith, America, Emerson, Lake & Palmer, Queen, The Doobie Brothers, The Eagles, Kansas, AC/DC, Bad Company, Kiss, Ramones, Rush, Talking Heads, Van Halen, Iron Maiden, The B-52’s, U2, Def Leppard, Dire Straits, The Police e Whitesnake. Teve também um pouco de punk rock, pós-punk e rock gótico como The Clash, The Cure, New York Dolls e Sex Pistols.

Já na década de 80 é preciso muito horizonte para enxergar e principalmente ouvir (ter paciência de) alguma coisa razoável, além de Guns N’ Roses e R.E.M. Talvez Tears for Fears, Alice in Chains, Green Day. Nada em 90 mas, para não passar em branco e com muito boa vontade, pode-se citar Oasis e Pearl Jam. E só.

Bom! Isso sem contar que muitos desses bons conjuntos ou intérpretes já desapareceram ou passaram da linha do horizonte. E nós ficamos a ver navios e a ouvir o som do silêncio, aliás uma grande música de Simon e Garfunkel “The sound of Silence”, lançada num álbum acústico, em 1964. No ano seguinte – sem conhecimento da dupla – a gravadora lançou um single dela incluindo guitarra, baixo e bateria, e transformando-a em sucesso.

Até o final de década ainda temos este ano inteiro, que se inicia, e 2010. Quem sabe ainda teremos boas surpresas até lá.

Boa observação do pôr-do-sol além do horizonte!