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Música, sons e cores


Nereu Leme

November comes.

E com o penúltimo mês deste ano, chega também Ringo Starr. Paul já veio duas vezes. Parece que os Beatles descobriram o Brasil. Agora, infelizmente, apenas os dois.

Enquanto fazia parte dos Fab 4, o batera do grupo compôs poucas canções. na verdade foram só duas: Don’t Pass Me By, para o Álbum Branco, e Octopus’s Garden, para o álbum Abbey Road, e mais quatro em co-autoria com os outros beatles: What Goes On, do Rubber Soul, Flying, do Magical Mystery Tour, Maggie Mae e Dig It, do Let it be.

Gravou outras composições de Lennon e McCartney, que também cantava nos shows, como Boys, I Wanna Be Your Man, Honey Don’t, Act Naturally e Good Night. Conseguiu sucesso cantando as músicas Yellow Submarine, do álbum Revolver, e With a Little Help From My Friends, do álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, ambas de Lennon e McCartney e também com uma música de sua autoria, Octopus’s Garden, do álbum Abbey Road. Foi a primeira vez que ele conseguiu fazer sucesso com uma música própria.

No documentário Anthology, Ringo declarou que toda vez que ele mostrava alguma nova composição sua aos outros beatles, eles acabavam identificando alguma similaridade com outra composição popular.

E, com uma pequena ajuda dos amigos, Ringo gravou With a Little Help from My Friends, que fez sucesso mesmo na voz especial de Joe Cocker.

Mesmo assim, ainda vale a pena ouvi-lo e assistir a seus shows  no Brasil. Ringo Starr e sua All Starr Band iniciam a turnê brasileira dia 10 de novembro, no Ginásio do Gigantinho, em Porto Alegre, dias 12 e 13 de novembro, no Credicard Hall, em São Paulo, 15 de novembro, no Citibank Hall, no Rio de Janeiro, dia 16 de novembro em Belo Horizonte, no Chevrolet Hall, dia 18 de novembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília e, fechando a passagem pelo Brasil, dia 20 de novembro, em Recife, no Chevrolet Hall.

A All Starr Band vem excursionando desde 1989. Em cada apresentação Ringo canta músicas tanto de sua carreira solo, quanto dos Beatles. Cada membro da All Starr Band também dá sua contribuição ao espetáculo, fazendo apresentações solo como cantores, além de tocar, é claro. Já fizeram parte da All Starr Band grandes nomes como Joe Walsh, Dr. John, Todd Rundgren, Timothy B. Schmidt, John Entwhistle, Peter Frampton, Sheila E., Rod Argent e Paul Carrack.

A música de Ringo Starr, tanto em carreira solo, quanto como um Beatle, é permeada por sua personalidade, seu calor humano, senso de humor e musicalidade.

 

Da esquerda para a direita: Steve Winwood,
Ric Grech, Ginger Baker e Eric Clapton

Por Nereu Leme

Fé cega, faca amolada, como na música de Milton Nascimento, a religiosidade também atingiu o chamado “Deus da guitarra”, em várias fases de sua vida, como por exemplo quando deixou as drogas em 1973 e, depois, a bebida quando foi hospitalizado em 1981.

Mas, foi numa guinada radical de sua carreira que ele fundou, junto com Steve Winwood, Ginger Baker e Rick Grech, a superbanda Blind Faith (Fé Cega) e compôs o hit Presence of the Lord (Presença do Senhor), em 1969.

I have finally found a place to live, In the presence of the Lord. Finalmente encontrei um lugar para viver, Na presença do Senhor.

Blind Faith é o álbum epônimo (é uma personalidade histórica ou lendária que dá, ou empresta, o seu nome a alguma coisa) da banda de rock britânica Blind Faith.

Lançado em agosto de 1969, foi o primeiro e último trabalho do grupo, gravado apressadamente entre uma turnê pela Escandinávia e pelos Estados Unidos. Apesar disso alcançou sucesso considerável, produzindo dois hits com “Can’t Find My Way Home” e “Presence of the Lord”.

Foi relançado em 2001 em versão de luxo e expandida, incluindo faixas inéditas e jams de estúdio.

Blind Faith foi uma banda britânica criada em 1968, logo após o fim do Cream. Considerado um dos primeiros supergrupos do rock, era composto por músicos integrantes de bandas pré-existentes, todos já famosos individualmente: Eric Clapton (vocais e guitarra), Ginger Baker (bateria), Steve Winwood (vocal e teclado) e Ric Grech (baixo e violão).

Clapton e Baker tinham saído do Cream, Winwood do Traffic e Grech, do Family. Gravaram apenas um disco, antes de se separarem em 1970. Ironicamente, um dos motivos que determinaram o fim do Fé Cega foi a capa do disco que mostrava uma garota de topless, segurando uma nava que mais parecia um”símbolo fálico”.

Na verdade, o apelido de “Deus” nunca deixou Clapton muito à vontade. Começou no final dos anos sessenta. Em 1965, Clapton gravou o álbum “Bluesbreaker Com Eric Clapton”. Durante os shows, o público gritava enlouquecido “Give God a solo!” Surge o legendário grafite nos muros e metrôs de Londres: “Clapton is God!”. O álbum John Mayall´s Bluesbreakers featuring Eric Clapton é considerado até hoje, uma Bíblia de cabeceira para qualquer guitarrista.

A separação do Cream aconteceu em 1968, e Clapton após ouvir o álbum Music From Big Pink, do The Band, decide dar uma guinada e fundar o Blind Faith.

Acabando depois de um álbum, e uma excursão americana desastrosa, Clapton tentou esconder-se da fama crescente viajando como um sideman com Delaney & Bonnie. Um álbum ao vivo daquela excursão foi gravado em 1970. O debut de Clapton na carreira solo também foi lançado naquele ano. No Verão de 1970, ele formou o Derek and the Dominos com os amigos dissidentes da banda de Delaney & Bonnie.

Os Dominos iriam gravar o álbum mais seminal do rock, Layla e Outras Variadas Canções de Amor. Um álbum de conceito, seu tema revolvido ao redor do amor não correspondido de Clapton pela esposa de George Harrison, Patti. Nesta fase, Clapton aumentou sua aproximação com o amigo George Harrison e colaborou com os solos de While My Guitar Gently Wheeps, do álbum branco dos Beatles, e depois trabalhou no primeiro disco de George, junto com o que seria os Dominos, além de várias sessões da gravadora Apple.

Para completar sua religiosidade, em janeiro de 1982, convencido por Roger Forester, seu gerente e amigo pessoal, ele entrou para Fundação de Hazelden, uma clínica de reabilitação para alcoólatras. Clapton permaneceu sóbrio desde 1987 pelo ingresso nos Alcoólatras Anônimos.

Em fevereiro de 1998, ele anunciou a abertura do Crossroads Centre, uma clínica de reabilitação em Antígua. Ele gastou mais de US$ 6 milhões do próprio bolso nesse projeto, e leiloou 100 de suas preciosas guitarras, para chamar a atenção sobre o seu projeto. O leilão arrecadou 5 milhões de dólares. A clínica tem por princípio, proporcionar tratamento gratuito para algumas das pessoas mais pobres do Caribe que não podem dispor de dinheiro. Dois terços dos leitos são para os pobres. Um dos motivos que levaram Clapton a construir o centro de reabilitação, foi o elevado consumo de drogas pelos jovens ingleses. Ele ficou indignado com a apologia das drogas e resolveu aproveitar sua experiência própria com esse pesadelo. Clapton transformou o hit “Cocaine” em um hino antidrogas.

Por Carlos Thompson

Estava escutando as músicas maravilhosas da fase mística de Tim Maia, quando se converteu à Cultura Racional. Uma melhor do que a outra. Tim, pouco depois, se frustrou totalmente com a seita. Ficaram as músicas como ‘Leia o livro Universo em Desencanto’ e ‘Imunização racional (Que beleza)’.

Os Beatles também tiveram sua fase mística, ao conhecer o guru Maharishi Yogi. E experimentaram a queda de sua fé ao perceber supostas incongruências de seu guru. Seu retiro espiritual na Índia foi, igualmente, um período de criação musical fértil, com composições eternizadas pelo ‘Álbum Branco’, como ‘Sexy Sadie’, ‘The Continuing Story of Bungalow Bill’, ‘Dear Prudence’, entre outras.

Robert Allen Zimmerman, o Bob Dylan, também passou por um período de religiosidade aguda, quando abraçou o cristianismo. Não foi sua fase mais criativa, mas deixou pérolas como ‘Gotta Serve Somebody’. Melhor ainda foi o retorno dele à trilha laica, especialmente na reunião de gênios dos “Travelling Wilburys” – nada menos do que ele, George Harrison, Roy Orbison, Jeff Lyne, Tom Petty.

Qual a moral desta história? Bem, gênios são gênios. E retiram da felicidade, da alegria e até das frustrações religiosas material para obras-primas. Talvez estes artistas, pela hipersensibilidade, se atirem de cabeça em doutrinas que prometam decifrar os segredos transcendentes da vida – e da morte.

Não importa tanto os motivos pelos quais se tornaram adeptos de seitas, e nem por que as abandonaram, depois. As músicas destas épocas falam por eles. As décadas de 1960 e 1970, contudo, com a liberação dos costumes e o uso intensivo de drogas certamente deram “a little help” para nossos amigos. E eles nos premiaram com trabalhos inesquecíveis. Que sempre valerá a pena recordar:

Paul no Morumbi

Nereu Leme

 

Baladeiro ou roqueiro? Os shows de Paul McCartney no Brasil serviram, entre outras boas revelações, para também desmistificar sua pecha de ser apenas mais um baladeiro ou que o verdadeiro roqueiro dos Beatles era John Lennon. Paul é reconhecidamente um baladeiro, autor de baladas açucaradas – que alguns até gostam de chamar de pegajosas. Mas, é também um roqueiro.

Nas apresentações no Brasil, Paul ficou três incansáveis horas no palco, lépido e fagueiro, pulando, cantando e tocando vários instrumentos. Escorregou no final do show de domingo (21) em São Paulo. Caiu, mas se levantou rapidamente, mostrando que tudo estava bem! E no meio do espetáculo gritou: “Vocês querem rock?” E tocou Helter Skelter (uma espécie de tobogã inglês que também significa confusão), música que compôs em 1967 e que muitos afirmam ser precursora do hard/heavy rock dos anos 70.

Principalmente depois que saiu dos Beatles, sir McCartney compôs alguns roquinhos. Talvez até por influência da sua excelente banda roqueira (seus dois jovens guitarristas atuais e o baterista) ou em função da idade (os 68 anos pesam e Paul deve ter o desejo de se mostrar mais roqueiro, e Forever Young, do que baladeiro), suas apresentações são mais vibrantes que as apresentações dos próprios Beatles ou do Wings.

Mas, independente da composição ser do Paul, do John, ou do George, alguns riffs são eternos. É só a guitarra começar a soar os primeiros acordes e já se identifica a música imediatamente. É assim com a própria Helter Skelter, A Hard Days Night, Please Please Me (na gaita), I Want To Hold Your Hand, I Feel Fine (com distorção), Day Tripper, Drive My Car, Michelle, In My Life, Sargent Pepper’s Lonely Heart Club Band, Lady Madonna, Revolution (também com distorção já naquela época), além de outras.

O tabloide inglês The Sun fez uma pesquisa para eleger o melhor riff da história do rock algum tempo atrás. Foram citados na pesquisa alguns dos maiores clássicos de todos os tempos. Segundo a enquete do jornal, o riff de “Ace of Spades“, do Motorhead, ficou em quinto lugar. Em quarto, o riff de “Beat It“, do rei do pop. “Walk This Way” do Aerosmith e “Layla“, de Eric Clapton, ficaram com terceiro e o segundo lugares da lista, respectivamente.

O riff que ficou com o primeiro lugar foi o da música “Sweet Child O’Mine“, do Guns N’ Roses, criado e gravado pelo guitarrista Slash em 1988.

Para ajudar na escolha do riff dos Fab Four, aí vai uma lista das principais composições do Lennon e de Paul. Vale também escolher alguma do George, como While my guitar gently weeps, cujo riff é atribuído a Eric Clapton:

As músicas compostas por John Lennon foram: Please Please Me, Do You Want to Know a Secret, I Calll Your Name, Bad to Me, I’m in Love, Hello Little Girl, I’ll be Back, I Fell Fine, No Replys, It’s Only Love, Day Tripper, Nowergian Wood, Whats Goes On, Run For Your Live, She Said, She Said, And You Bird Can Sing, Dr Robert, Tomorrow Never Knows, Lucy In The Sky With Diamonts, Being For The Benefit Of Mr Kite, Good Morning, I Am The Walrus, Revolution, Happiness Is a Warm Gun, Julia, Sex Sadie, Beacause, Across the Unvierse, Everybody Gots Something to Hide Except Me and My Monkey, There’s a Place, This Boy, All I Got to Do, Not a Second Time, You Can’t do That, A Hard Day’s Night, I Should Have Knows Better, I’m Happy Just to Dance With You, Anytime at All, I’ll Cry Instead, When I Get Home, I’m a Loser, I Don’t Want to Spoil the Party, Ticket to Ride, Yes It Is, Help, You Got to Hide Your Love Away, You’re Gonna Lose That Girl, Nowhere Man, Girl, Rain, I’m Only Sleeping, Strawberry Fields Forever, Dear Prudence, Glass Onion, The Continuing History of Bungalow Bill, I’m So Tired, Yer Blues, Cry Baby Cry, Good Night, The Ballad of John and Yoko, Come Together, I Want You, Mean mr Mustard, Polythene Pam and After, Hey Bulldog, Don’t Let Me Down, Sun King, Dig a Poney, Dig It.

As músicas compostas por Paul McCartney foram Love Me Do, PS I Love You, I’ll Be On My Way, All My Loving, I’ll Keep You Satisfied, Love of the Loved, From a Window, Like Dreamers Do, A World Without Love, One and One is Two, She’s a Woman, I’ll Follow the Sun, Yesterday, We Can Work It Out, Paperback Writer, Here There and Everywhere, Good Day Sunshine, For no One, Got to Get You Into My Life, Penny Lane, With a Little Help From My Friends, Getting Better, When I’m Sixty Four, Magical Mistery Tour, Hey Jude, Back In The USSR, Rocky Racoon, Why Don’t We Do It On The Road, I Saw Her Standing Here, Tip Of My Tongue, Nobody I Know, Things We Said Today, I Don’t Want to See You Again, I’m Down, The Night Before, Another Girl, Tell Me What You See, I’ve Just Seen a Face, That Means a Lote, You Won’t See Me, I’m Looking Through You, Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band, Fixing a Hole, Lovely Rita, Hello Goodbye, Your Mother Should Know, The Fool on The Hill, Step Inside Love, Ob-la-di Ob-la-da, Martha My Dear, Blackbird, I Will, Mother’s Nature Son, Helter Skelter, Honey Pie, Lady Madonna, All Together Now, Get Back, Let It Be, Oh Darling, You Never Giver Your Money, She Came In Through The Bathroom Window, Golden Slumbers, Carry That Weight, The End, Her Majesty, Two of Us, On Our Way Home, The Long and Winding Road.

Carlos Thompson, jornalista, escritor e compositor:

 Pensei que fosse mais fácil escolher os riffs dos Beatles. Como diz o Cony, Ledo e Ivo engano.

Vou dividir pelo autor da música:

John Lennon – You’re gonna lose that girl; In my life; Hey Bulldog; Run for Your Life; Norwegian Wood; I Feel Fine;

Paul McCartney – Drive my car; Michelle; Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band; Paperback Writer; Get Back; And I Love Her;

Lennon & McCartney – Day Tripper; I saw her standing there; If You’ve Got Trouble; That Means a Lot; Thing We said today;

George Harrison – Taxman; While my Guitar Gently Weeps (with a big help from Eric Clapton); Not Guilty; Badge (com Clapton);          

Gravada pelos Beatles – Anna (Go to him).

Nereu Leme, jornalista, escritor, compositor e músico amador:

Get Back, pelo som da guitarra do George e a batida forte do Ringo na bacteria; o som rasgado da gaita de Lennon em Please, Please Me; o som crescente de Eight Days a Week que parece vir do fundo do Universo; e o som distorcido de I Feel Fine; e, a mais linda, Here Comes The Sun.

José DiFabio, veterinário, músico e amante dos Beatles:

Day Tripper, sem dúvida! Paperback Writter, boa; A Hard day’s Night, pela Rickenbacker 12 cordas.  Na sequência vêm Bulldog.

Paulo Corradini, empresário, músico:

Mais uma vez o Paul tem mais composições que o John.

Na minha opinião: I Saw her standing there; Get Back; Help e Oh! Darling.

Qual é a sua?

Beatle X Beatle

admin em nov-11-2010


Nereu Leme

Battle. Um e a menos e um t a mais diferenciam a palavra batalha do embate Beatle X Beatle, que li outro dia na revista Veja. Nela, o jornalista Sérgio Martins reaviva o debate sobre qual dos dois Beatles foi o melhor: John Lennon ou Paul McCartney.
Aproveitando a vinda de Paul ao Brasil para shows em Porto Alegre (7/11) e São Paulo (21 e 22/11) e uma reedição completa dos discos-solo de Lennon, que completaria 70 anos (nasceu em Liverpool no dia 9 de Outubro de 1940 e morreu faz 30 anos, no dia 8 de dezembro de 1980), a matéria de Veja destaca as qualidades de cada um, atribuindo notas num placar final.
Boa matéria, bons argumentos me estimularam a fazer uma pequena enquete com alguns amigos roqueiros e fãs dos Beatles. Leia o que cada um deles diz dessa batalha:

Nereu Leme, jornalista, escritor, compositor e músico amador:
“Vou logo apimentando para começar a discussão. John foi o melhor, talvez nem tanto pelo conjunto da obra, mas, e principalmente, por alguns pequenos detalhes que se mostraram grandiosos no resultado final.
Grande exemplo foi a musiquinha açucarada que Paul fez sobre uma decantada paixão francesa, chamada Michelle. Boa música, certinha – como tudo que Paul fazia – mas que provavelmente estaria finada a uma faixa B (daquelas pouco tocadas e pouco conhecidas), não fosse o dedo genial de Lennon, ao incluir apenas três palavras. No caso, fatais ou providenciais:
“I Love you”. Repetidas três vezes: I love you, I love you, I love you. E a composição entrou para o hall da fama. Tornou-se uma das mais melodiosas e tocadas dos Beatles. Para mim, já valeu!”
No filme, O Garoto de Liverpool, nome original “Nowhere Boy”, que deve estrear nos cinemas dia 3 de dezembro, seu professor desdenha: “No momento não vai a lugar nenhum”. Lennon responde: “Lugar nenhum é para os gênios. Provavelmente lá é o meu lugar”. Lennon – no filme – também reclama para a namorada: “Por que Deus não me fez Elvis Presley?” Ela completa: “Porque ele está guardando você para ser John Lennon”.

Carlos Thompson, jornalista, escritor e compositor:
“Mas afinal o que é rock’n roll, os óculos do John ou o olhar do Paul? Para mim, Humberto Gessinger, da banda Engenheiros do Haway, em “O Papa é pop” chegou mais perto de solucionar o dilema Paul x John. Acho que melhor seria dizer: os óculos do John com o olhar do Paul. O ‘com’ resolveria.
Isto posto, tendo de escolher, voto no Paul. John Lennon sempre foi fantástico, mas suas perturbações comportamentais, incluindo o excesso de drogas e Yoko Ono, a maior delas, nem sempre deixavam o caminho livre para o melhor desempenho musical. Paul era (e é) mais centrado, mais ambicioso e inovador.
Pós-Beatles, eles não brilharam individualmente tanto como quando eram um assinatura conjunta, que na Cabala musical seria o símbolo do melhor rock’n roll. Entre os dois, Paul pela constância. Mas, sempre que possível, os dois, a dupla, o dueto, o sonho que jamais acabou.”

Fernando Sérgio Massaro Duque, executivo de Marketing, músico (cantor), colecionador da Banda U2 e desenvolvedor do website oficial do Bono – www.paulhewson.com:
“Que missão impossível essa de separar o joio do trigo. Não dá pra escolher um melhor que o outro. O sucesso, a beleza, a genialidade, a cumplicidade, o subversivo, a irreverência, a inconseqüência, enfim tudo o que aconteceu foi resultado da cumplicidade de duas personalidades completamente diferentes olhando unicamente para o mesmo ponto, para o mesmo objetivo, para a mesma meta.
Um sem o outro?
Eu digo o que aconteceria; o Paul seria um simpático vendedor de edredons na Tiffany´s e um fantástico pai de cinco filhos ingleses de dentes ruins e marido de uma mulher gorda e sedentária.
O John seria o mesmo doido alucinado genial hyppie sem noção fantasticamente musical. Só que pobre e feliz por nunca ter conhecido a Yoko. Hahahahahaha…”

Ivan Neves, médico e roqueiro ¨dinossauro¨:
“Por tudo que já li e elucubrei sobre o assunto desde os tempos da Beatlemania, acho que o John e o Paul foram gênios incontestes da música, mas sobretudo tinham personalidades diferentes, o que se refletia na musicalidade de cada um.
Como dizia George Martin, “Paul era o azeite de oliva e o John o suco de
limão”. O fato é que daí surgia uma química inigualável, raramente vista, ou
nunca mais vista.
Um exemplo é a magnifica “A Day in the Life”,quase toda de John mas com
o soberbo toque de Paul! Portanto para mim “no stress”, o melhor de tudo
eram os dois sentados, compondo um de frente pro outro, como acontecia de
fato!”

Beto Carlos , empresário do setor gráfico digital, músico, poeta e amante dos Beatles:
“Na minha opinião, não existe o melhor! O que existiu foi uma química com elementos abstratos que conseguiram reunir letras e harmonias, que fizeram a grande diferença entre outros grupos e compositores.
Vou ousar dizer que, comparado na tecnologia como a Internet, como um dos maiores avanços de comunicação, igual aos Beatles, jamais haverá outro conjunto em termos de comunicação musical.”

Marcos Camargo, jornalista e cover do Elvis Presley:
John Lennon foi genial em suas composições, preocupado em incrementar o trabalho dos Beatles com novos elementos musicais. Foi até o Oriente buscar inspiração para novos trabalhos, se tornou escritor, ativista e por isso meu voto vai para ele. No álbum experimental “Unfinished Music No.1: Two Virgins “, causou furor ao aparecer nu ao lado da esposa Yoko Ono, na capa e contracapa. Sua trajetória foi interrompida pelo assassinato, em 1980, da mesma forma abrupta que morrerram Elvis Presley e mais recentemente Michael Jackson.
Paul McCartney sempre teve um tempero pop, e apesar de ser seu fã, acho que ele até hoje sente muita saudade da primeira fase dos Beatles – um rock mais simples, pouco erudito. A diferença é que Paul teve mais tempo para mostrar seu trabalho. Considero a fase dos “The Wings” nos anos 1970 a mais genial em sucessos como “Band on the Run”, sem dúvida algo que deve ser ouvido muitas vezes.

Marcelo Chiarelli, odontologista, expedicionário e amante da boa música:
Não sou um expert em música, mas um amante da boa música. E, convenhamos, todas as composições dos Beatles são excelentes. Gosto mesmo dos dois, ou ambos os dois, para ser mais enfático. Porém, considero que – em minha opinião – o Paul McCartney é um músico mais completo que o John Lennon.

José Aquino, empresário do setor gráfico, músico, guitarrista e cantor:
Os cinco foram os melhores do Universo. John, Paul, George2 (Harrison e Martin) e Ringo.

Paulo Corradini, empresário, músico:
“De qualquer forma nunca gostei muito do John. E sua imagem só piorou, pelo menos para mim, com a chegada da Yoko. Se aquela mulher não tivesse aparecido ainda estaríamos curtindo nossos Beatles.”

Joice Guimarães, jornalista:
Para mim, John Lennon foi além do título de músico. Ele usou o impacto revolucionário que foi (e continua sendo) as canções dos Beatles para algo muito maior que sua promoção individual. Contestador, Lennon também era conhecido por seus trabalhos ativistas na política e suas declarações “sem papas na língua” sobre diversos assuntos do cotidiano. Portanto, não tenho como comparar o líder de uma geração e que, não por acaso era um grande compositor, com Paul McCartney que, pelo conjunto de sua obra, considero tão somente um músico completo.

Nereu Leme

Novidades no mercado fonográfico. Ou meia novidade. Assim mesmo, metade! A novidade é o novo disco de Eric Clapton. Porém, não tão novo assim. Saiu no mês passado e tem faixas novas, mas também algumas velhas. Vale sempre o mesmo EC, com seus indescritíveis blues.

Sem invenções ou ousadias. Uma coletânea de rocks e blues melancólicos, no old fashion way, ou seja, no seu velho estilo de desencavar músicas boas como Autumm Leaves.

São temas que o artista ouve desde a infância:

“Esse álbum não saiu como havia sido planejado. Na verdade, ficou melhor do que eu imaginava. É uma coleção eclética de canções que pouca gente conhece e das quais eu gosto muito. Esse álbum deve surpreender os fãs, até porque me surpreendeu também”, disse no lançamento, dia 24 de setembro, em Londres.

“Nunca gostei de música de jovens. Não quero estar na moda. Quero explorar o que existir de mais velho”, explicou.

É seu primeiro álbum solo depois de cinco anos. Ele também gravou Complete Clapton (coletânea de 2007), The Road to Escondido (com JJ Cale, em 2006) e Back Home (último álbum solo lançado em 2005). Claro, além de um zilhão de outros álbuns. Esse é o seu 19º disco solo. Veja discografia completa no site www.ericclapton.com.

Clapton esteve no Brasil em 2001 para lançar Reptile, que inclui uma faixa, Reptile, em homenagem ao Brasil. Depois disso, se aposentou, ou seja, parou de fazer shows em locais distantes. Faz apresentações apenas nos Estados Unidos e Inglaterra. Longas viagens, apenas nas cordas de sua guitarra e longe das drogas que quase o levou desta para melhor, história que ele conta em sua autobiografia, lançada em 2007.

Seu ecletismo pode ser percebido no blues “Judgement Day”, no jazz estilo dixieland de “When Somebody Thinks You’re Wonderful” e no rock “Run Back to Your Side”, uma das melhores faixas do CD.

O CD, chamado simplesmente “Clapton” também se destaca pelas participações especiais, como “River Runs Deep”, “That’s No Way to Get Along” e “Everything Will Be Alright” com o parceiro de longa data J.J. Cale no vocal, e “Diamonds Made From Rain”, com Sheryl Crowl.

Existem diversas versões sendo comercializadas, cada uma delas com faixas bônus diferentes. No Brasil a Warner lançou a versão standart, com 14 faixas.

1 - Travelin’ Alone
2 - Rockin’ Chair
3 –  River Runs Deep
4 –  Judgement Day
5 –  How Deep Is The Ocean
6 –  My Very Good Friend The Milkman
7 –  Can’t Hold Out Much Longer
8 –  That’s No Way To Get Along
9 –  Everything Will Be Alright
10 –  Diamonds Made From Rain
11 –  When Somebody Thinks You’re Wonderful
12 –  Hard Times Blues
13 –  Run Back To Your Side
14 –  Autumn Leaves

Chuva de meteoros

admin em set-1-2010

Nereu Leme

Uma chuva de meteoros, Across the Universe, fenômeno que ocorre quando a Terra cruza os destroços do cometa Swift-Tutle, foi registrada em vários pontos do planeta na madrugada da última sexta-feira, 13 de agosto. Em locais com céu claro e sem nuvens o fenômeno Perseidas produziu um belo espetáculo visual. Os meteoros entraram na atmosfera terrestre em chamas.

Até parece efeito especial da canção dos Beatles,  Across the Universe , que a Nasa (agência espacial norte-americana) mandou para o espaço, no dia 4 de fevereiro de 2008. Foi uma comemoração dos 40 anos desde que os Beatles gravaram a música e o aniversário de 50 anos de fundação da agência.

A transmissão foi feita pela Deep Space Network, rede internacional de antenas que dá suporte para a exploração do Universo, em direção à Estrela Polar (Polaris), a mais brilhante da constelação da Ursa Menor, situada a 431 anos-luz da Terra (um ano-luz corresponde a 9 trilhões e 460 bilhões de quilômetros).

Na mesma sexta-feira 13 de agosto, que deve ser mesmo sinal de sorte, recebi um e-mail do meu amigo José Difabio com um vídeo da música Get Back, gravada pelos Beatles em 1969.

Dizem que a letra dessa música, que manda alguém voltar para o lugar de onde veio (Get back to where you once belonged), foi escrita por Paul Mc Cartney em ‘homenagem’ à Yoko Ono. O vídeo mostra a gravação em estúdio e as trocas de olhares entre os personagens são muito interessantes.

Esse  vídeo foi achado nos escombros da antiga gravadora dos Beatles (Abbey Road  Studios) e mostra uma sessão de gravação da banda, já no final de carreira. Os Beatles se dissolveram em 10 de abril de 1970. Participam  da gravação, o grande pianista negro americano  Billy Preston (que morreu em junho de 2006) e, assistindo à gravação, o líder de um grupo que começava a fazer sucesso, um tal Mick Jagger!

Get Back deveria ser o nome do último álbum que depois virou Let It Be. Vale a pena conferir.

Procure por The Beatles – Get Back – Original Studio Version – HQ, ou acesse o link: http://www.youtube.com/watch?v=tMy_w5HsfdI

Ruby Tuesday, dos Stones, com a banda Rock’n Blues.

Nereu Leme

Ringo Starr

O sonho não acabou!

Mesmo com o fim dos Beatles, em 10 de abril de 1970, quando Paul McCartney anunciou que os Fab Four não voltariam a tocar juntos e John Lennon jogou uma pá de cal nas nossas esperanças ao afirmar que “o sonho acabou” , suas canções continuam vivas em nossas lembranças. E acabam de ser reavivadas pelo álbum Y Not, de Ringo Starr.

Após a dissolução definitiva do grupo, há 40 anos, cada músico seguiu uma carreira independente, até 1980 época em que Lennon foi baleado e morto, e 2001, com a morte de Harrison.

Mas, McCartney e Starr continuam ativos e até cantando juntos.

Os Beatles, ou o que restou deles, gravaram uma música muito especial, no mais puro estilo Beatles: Walk with you, do álbum Y Not, que Ringo Starr lançou em janeiro deste ano. Por quê? Porque não, responde Ringo.
Nessa composição de Starr e Van Dyke Parks, Paul toca contrabaixo e faz back vocal no coro “when I walk with you, when I talk with you, everything will be fine”. Ou seja, tudo fica bem quando caminho com você ou converso com você.

O CD ainda não está disponível no Brasil, pelo menos nas principais lojas de discos, mas pode ser comprado na amazon ou ouvido no youtube. São 10 faixas: Fill in the Blanks, de Richard Starkey e Joe Walsh; Peace Dream, de Starkey, Gary Wright e Gary Nicholson; The Other Side of Liverpool, de Starkey e Dave Stewart, Walk With You, de Starkey e Van Dyke Parks (com Paul McCartney); Time, de Starkey e Stewart; Everyone Wins, (um cover original de 1992) de Starkey e Johnny Warman;
Mystery of the Night, de Starkey e Richard Marx; Can’t Do It Wrong, de Starkey e Gary Burr, Y Not de Starkey e Glen Ballard; e Who’s Your Daddy, de Starkey e Stone.

Y Not é um dos melhores álbuns solo de Ringo, o qual ele assina como produtor, preservando a sonoridade dos antigos companheiros de banda.

Destaques para Peace Dream e Walk With You, respectivamente com Paul no baixo e dividindo os vocais. Y Not é um ótimo candidato ao melhor lançamento de 2010. Y Not é o décimo quinto álbum de estúdio de Ringo Starr, lançado dia 12 de Janeiro de 2010, nos estúdios da Universal. Além do dueto com Paul McCartney, Walk With You, o álbum também com colaborações de Joe Walsh, Joss Stone, Van Dyke Parks, Ben Harper e Richard Marx.

O álbum ficou em 58º lugar da Billboard, com mais de sete mil cópias vendidas nos Estados Unidos, na primeira semana de lançamento. Em Fevereiro de 2010, o álbum já havia vendido mais de 30 mil cópias em todo o mundo.
Esse novo álbum de Ringo Starr coincide com os 40 anos da dissolução do grupo. Claro, uma data para ser lamentada. Mas, como comemoramos tudo, nascimento e morte, aí vão os últimos momentos dos Fab Four, de acordo com a enciclopédia livre Wikipedia.

Último concerto e fim


Em janeiro de 1969, os Beatles iniciaram um projeto cinematográfico que documentaria a realização de sua próxima gravação, originalmente intitulado Get Back. Durante as sessões de gravação, a banda realizou sua última apresentação ao vivo no último andar do edifício da Apple, em Londres, na tarde fria de 30 de janeiro de 1969.

A maior parte da apresentação foi filmada e, posteriormente, incluída no filme Let It Be. A ideia de tocar no telhado do prédio foi de Lennon. O concerto parou a rua inteira do prédio e, rapidamente, o lugar ficou lotado de pessoas; inclusive, os vizinhos da região logo espreitavam das sacadas o concerto. Os Beatles tocaram durante quarenta minutos até a polícia local interferir pedindo que abaixassem o volume dos instrumentos.

Mal Evans explicou que não era qualquer pessoa que estava tocando, e sim os Beatles. A apresentação terminou antes do previsto, e tornou-se famosa. Com o projeto Let It Be temporiariamente suspenso, os Beatles gravaram seu penúltimo álbum, Abbey Road, no verão de 1969. A conclusão da canção “I Want You (She’s So Heavy)” para o álbum em 20 de agosto de 1969 foi a última vez que o quarteto reuniu-se no mesmo estúdio. Lennon anunciou sua saída para o resto do grupo em 20 de setembro, 1969, embora tenha concordado em não anunciar isso publicamente até que determinadas questões jurídicas fossem resolvidas.

Em março de 1970, a sessão de teipes do “Get Back” foram entregues ao produtor americano Phil Spector, que tinha produzido o compacto solo de Lennon – “Instant Karma!”. McCartney anunciou publicamente a dissolução em 10 de abril de 1970, uma semana antes do lançamento de seu primeiro álbum solo, McCartney. As cópias de pré-lançamento incluíram um comunicado à imprensa onde McCartney realizava uma entrevista consigo mesmo, explicando o fim dos Beatles e suas esperanças para o futuro. Em 8 de maio de 1970, a versão de “Get Back” produzida por Spector foi lançada como Let It Be, seguido com o documentário de mesmo nome. Legalmente, a parceria dos Beatles não foi dissolvida até 1975, embora Paul tenha apresentado uma ação para a dissolução em 31 de dezembro de 1970, efetivamente terminando a carreira em conjunto da banda.

Canyon onde tudo aconteceu

E um álbum inédito dos Beatles 

 Nereu Leme  

Vai chover ou vai fazer sol? Quem sabe o que vai acontecer depois da próxima esquina? Prever o tempo pode ser fácil para os meteorologistas, mas o futuro é desafio para Nostradamus. Mesmo ele só acertou 10% do que previu, embora suas centúrias tenham validade até o ano 4000. Agora, vem aí o dia 21 de dezembro de 2012, final do Calendário Maia de Contagem Longa, com o ciclo de 5.125 anos, que alguns interpretam como o fim do mundo. Hollywood aproveitou com o filme 2012.

Na verdade, o que todos fazem é interpretar (como um tradutor de futurologia) as previões proféticas, as passagens bíblicas e as histórias mitológicas e astronômicas, como a colisão do planeta Nibiru com a Terra, também em 2012. Nome de um corpo celeste da mitologia suméria, Nibiru é um planeta do Sistema Solar, citado no poema Enuma Elish, e associado ao deus Marduk (o protetor da cidade da Babilônia), e que geralmente é confundido com o planeta Júpiter.

Bom, voltando para os sons da terra, adivinhar, profetizar ou fazer previsões musicais então, nem Hollywood, Nibiru ou Nostradamus. E, ao que se saiba, Nostradamus não fez nenhuma previsão musical, já que música depende muito do gosto do freguês. E tem gosto pra tudo! Até desgosto musical, sonhos e delírios.

Num desses delírios, que todo beatlemaníaco vai achar que é verdadeiro ou pelo menos gostaria que fosse, um cidadão norte-americano – que prefere ficar incógnito ou ser chamado de James Richards – garante que encontrou um álbum inédito dos Fab Four.

Como? Nem ele sabe direito. Mas, conta uma história maluca de abdução ou outra dimensão.

A história é recente. Aconteceu, segundo relato do próprio, agora em setembro. O sujeito mora em Livermore, Califórnia e disse que numa bela tarde de quarta-feira, estava voltando para casa, quando… Um pouco de suspense vai bem aqui!

Perto de Del Puerto Canion, a oeste de Turlock, ele parou para sua cachorra fazer suas necessidades. Quando a cachorra correu atrás de um coelho e James saiu em seu encalço, tropeçou e caiu inconsciente. Ao acordar, estava em uma Terra paralela ou Universo Paralelo, em companhia de um tal Jonas, que o salvou e o transportou para sua casa em uma máquina do tempo.

Conversa vai, conversa vem, Jonas contou que essas viagens pelo Universo Paralelo são controlados pelo governo, pois existe risco do viajante cair em lugares de risco (no meio do mar, no deserto, no meio de um tiroteio nas favelas do Rio de Janeiro), e que normalmente não carregam nenhum objeto vindo do outro lado – alguma coisa como The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd). Jonas levou James Richards para sua casa, pois achou que o elemento corria risco de vida, acidentado e abandonado num lugar deserto.

No meio desse papo maluco ou interessante (o leitor pode escolher), Jonas falou que gostava dos Beatles e que tinha recebido de uma amiga, algumas fitas cassete (os paralelos não gostam ou não aprovaram o CD, preferindo os antigos estojos de fitas magnéticas). Entre elas, o novo álbum Everyday Chemistry.

James ficou perplexo!

“Mas, dois dos Beatles já morreram – afirmou.

“Aqui eles estão vivos, ou vivinhos da silva, e acabaram de fazer um show outro dia – disse Jonas. E não é baleia, isto é balela, completou o paralelo Jonas.

O norte-americano abduzido pediu a fita de presente – pelo amor de seus deuses reais e paralelos. Porém, o paralelo advertiu James que ele não poderia levar nada de seu mundo, sob risco de alterar o equilíbrio dos universos, também chamados de multiverso, pois os cientistas (os nossos) acreditam que exista mais de um Universo.

James Richards não se fez de rogado. Numa distração de Jonas, roubou a fita e a escondeu em sua casa, em Livermore.

Postou o álbum no site http://www.thebeatlesneverbrokeup.com/. Onde ele colocou até fotos do local da abdução e até da toca do coelho onde ele pisou e caiu.

Baixei as músicas e gostei. São mesmo dos Beatles? São bootlegs? Remasterizações? Fato ou lenda?

Ouça o álbum e me diga quais são suas profecias!

Banda Rock’n Blues toca Beatles (abaixo)

 

 e o passado virar seu aliado

Caixa Beatles

Nereu Leme

Prerrogativa do destino, ou primazia divina, o futuro até pode ser construído – dizem – porém não dominado. Incerto, ou um certo desconhecido, amedronta e muitas vezes surpreende.

Mas o passado, ah, esse eu conheço bem. Controlo! Uso e abuso. Perpasso como diria o poeta. O futuro a Deus pertence bradam os crédulos. O passado, porém, é meu. Lembro dele quando quiser. Escolho momentos, cheiros, sons. Revivo amores, alegrias e prazeres.

Recordo o primeiro beijo. O primeiro disco (LP) de 78 rotações que ganhei e se tornou, naquele momento, a trilha sonora da minha vida.

Tristezas e desatinos deixo de lado. Esqueço. Assim, controlo meu passado. Mando nele. E posso ouvir os novos discos dos Beatles, agora remasterizados (remasterização é a recuperação de áudio ou vídeo com o objetivo de se obter uma qualidade superior) e me lembrar que ouvi a primeira música deles, I Want To Hold Your Hold, em 1963.

Tinha 15 anos e trabalhava como office-boy em São Paulo. Fazia meu horário de almoço no Parque D. Pedro II (quando ainda era um parque arborizado), lendo um livro debaixo de uma dessas árvores e ouvindo meu radinho de pilha, companheiro inseparável em minhas andanças de boy pela cidade, entregando documentos ou pagando contas.

E, no meio da programação, apareceram os Fab Four com o primeiro single a chegar ao Brasil. Fui capturado instantaneamente. Como era boa a vida – mesmo sendo office-boy e trabalhando exaustivamente. Como faz bem para a alma lembrar situações saborosas, com cheiro, movimento e música!

A caixa com os 14 CD remasterizados dos Beatles será lançada no Brasil agora, no dia 25 de setembro (embora mundialmente tenha chegado às lojas no dia 9 do 9 de 2009. O Number Nine de John Lennon.

O custo da obra assusta: R$ 1.290,00. Espero com ansiedade, mas para já ir curtindo, comprei apenas um desses CDs, o Abbey Road, o sétimo e último álbum a ser gravado pelos quatro garotos de Liverpool, exatamente há 40 anos (26 de setembro de l969).

Esse álbum simples custa R$ 35,00 e já vem com fotos exclusivas e notas históricas e de gravação, por exemplo, de que esse é o primeiro e único álbum em cuja capa não aparece nem o nome dos Beatles e nem um título. Apenas a foto dos quatro atravessando a Abbey Road.

Com os 14 CDs, então, vamos – todos – ter o poder de escravizar nossos passados e lembrar do bom e do melhor. Som na caixa e muita imaginação e reminiscências que, de acordo com Platão, são recordações gradativas que o homem tem das idéias que contemplou em estado puro, antes da sua encarnação.

Tenha boas lembranças!