Todo mundo gosta de música. A palavra vem do grego mousiké, “das Musas” ou “das belas-artes”, mas o sentimento é todo seu, pessoal.
Por isso, essa arte ou ciência, que combina harmoniosamente os sons, é subjetiva. Nós – seres humanos e alguns animais – gostamos da música que nos toca a alma, que provoca algum sentimento, alegria, dor, saudade…

Assim, não há música boa ou ruim. Existe a nossa música, definição comum entre os apaixonados. Eu gosto da música que você não gosta, que ela gosta e que ele não gosta. Certo! Gosto não se discute? Discute, sim. É possível provar, cientificamente, que determinada música seja um plágio, por exemplo.
Em 1978, Jorge Ben Jor acusou Rod Stewart de ter plagiado o refrão de Taj Mahal (”Tê-Tê-Teteretê”), que foi usado em “Do You Think I´m Sexy?”. Rod culpou seu parceiro Carmine Appice pelo ocorrido, e cedeu os lucros da faixa ao Unicef em um show beneficente, em Nova York. Assim, Benjor não conseguiu receber pelo plágio.
Há um mês, o viúvo da pianista britânica Joyce Hatto, que faleceu no ano passado, aos 77 anos, admitiu que lançou no mercado CDs de virtuosos do piano, como Beethoven, Liszt, Rachmaninov, Schubert, Chopin, entre outros, cujas interpretações atribuiu à esposa para dar a ela, que sofria de câncer, a “ilusão de um grande final”. A maioria dos críticos musicais nem percebeu o plágio.
Há, também, os chamados ecléticos, do estilo “eu gosto de tudo que é bom”. Bom para eles. Sou menos eclético. Escolho a dedo minhas músicas, e as ouço até cansar. Veja exemplo no box ao lado.
Então, como os críticos musicais afirmam que isto presta, e que aquilo é um lixo? Usando bom senso e seus conhecimentos musicais e poéticos.
Isso porque a música é tradicionalmente dividida de acordo com três elementos organizacionais: melodia, harmonia e ritmo. Sem contar a letra, na qual entra, então, a poesia.
Bom, quando nos referimos aos aspectos do som nos deparamos ainda com uma lista mais abrangente de componentes: altura, timbre, intensidade e duração. Eles se combinam para criar outros aspectos: estrutura, textura e estilo, bem como a localização espacial (ou o movimento de sons no espaço), o gesto e a dança.
Para ficar apenas nos três primeiros elementos básicos, melodia, harmonia e ritmo e, claro, a letra, vamos – agora sim – escolher o que mais gostamos. Começando pelo ritmo: Jazz, soul, blues, rock, samba, sertanejo, pagode e por aí afora. Só para citar alguns, meus ritmos preferidos são “rock and blues”. Escolha o seu!
Leve em conta seu temperamento e os momentos dedicados à música. Para relaxar, para animar a festa, recordar “é viver, eu ontem sonhei com você”, ou até mesmo curtir uma fossa, como as famosas interpretações da saudosa cantora Maysa Matarazzo; Ronda, por exemplo.
Música para ETs
Melodia tem que ser agradável aos seus ouvidos, mais ou menos sensíveis aos acordes harmoniosos. Melodia é aquela seqüência musical que a gente sai assoviando, depois de um filme. Quem não se lembra dos acordes (que formam a melodia, junto com a harmonia e o tempo de execução das notas) do filme ‘Contatos Imediatos do Terceiro Grau’? Lá/Si/Dó/Sol/Ré/, com os quais os terráqueos se comunicavam com os extraterrestres, os ETs. Ou ainda aquela música infantil “Alegre Pastorzinho”, Dó/Ré/Mi/Fá/ Fá, Fá/. Dó/Ré/Dó/Ré/Ré, Ré/.Dó/Sol/Fá/Mi/Mi,Mi/. Dó/Ré/Mi/Fá/Fá, Fá/.
E, a harmonia, como a própria palavra indica, é a suavidade e sonoridade do estilo ou a disposição bem ordenada entre as partes de um todo. Ou seja, quando tudo combina bem e faz carícias em nossos ouvidos.
Aí, então, mas não finalmente, vamos para o canto, a poesia. A primeira coisa a se apreciar é a história que a letra da música conta. Depois, a rima entre as últimas vogais tônicas do verso e dos fonemas que eventualmente a seguem. Ou, quando não há rima, os versos são chamados de brancos.
A rima pode ser pobre (substantivo com substantivo: amor com dor); rica (adjetivo com substantivo: quente com frente); ou preciosa (quando a rima dos versos se utiliza de palavras com diferentes estruturas gramaticais: estrela com vê-la).
Com essas poucas regras, cada pode analisar suas músicas preferidas e concluir se realmente gosta ou não delas, sem se preocupar em definir o que é bom ou ruim.
Box
Uma das minhas músicas preferidas – e que me inspirou na redação do texto ao lado – é “Someday Baby”, com a qual Bob Dylan ganhou o prêmio Solo Rock Vocal Performance do Grammy de 2006. Essa faixa faz parte do álbum Modern Times, que lhe valeu o Grammy for Contemporary Folk/American Album.
Como a maioria já sabe, Dylan, nascido Robert Allen Zimmerman, em 24 de maio de 1941 (vai fazer agora 66 anos), no estado de Minnesota. Neto de imigrantes judeus-russos, aos 10 anos de idade Dylan escreveu seus primeiros poemas e, ainda adolescente, aprendeu piano e guitarra sozinho.
Dylan já lançou mais de 45 álbuns desde 1962, quando gravou seu primeiro disco, “Bob Dylan”, dedicado ao folk tradicional. Seu segundo álbum, “The Freewhellin’ Bob Dylan”(1963), contendo apenas canções de sua autoria, consagrou o músico com o hit “Blowin’ in the Wind”.
Vocês podem alegar que seja fácil escolher um disco premiado. Mas, posso garantir que o comprei no ano passado, assim que chegou às lojas, e que logo me apaixonei. Descontando os seus hits tradicionais, Like a Rolling Stone, por exemplo, esse é o melhor disco de Dylan, em todos os tempos. Poético, melódico e simplesmente rouco.
Bob Dylan – Someday Baby
I don’t care what you do, I don’t care what you say
I don’t care where you go or how long you stay
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more
Well you take my money and you turn it out
You fill me up with nothin’ but self doubt
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more
When I was young, driving was my crave
You drive me so hard, almost to the grave
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more
I’m so hard pressed, my mind tied up in knots
I keep recycling the same old thoughts
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more
So many good things in life that I overlooked
I don’t know what to do now, you got me so hooked
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more
Well, I don’t want to brag, but I’m gonna ring your neck
When all else fails I’ll make it a matter of self respect
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more
You can take your clothes put ‘em in a sack
You goin’ down the road, baby and you can’t come back
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more
I tried to be friendly, I tried to be kind
I’m gonna drive you from your home, just like I was driven from mine
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more
Living this way ain’t a natural thing to do
Why was I born to love you?
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more