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Música, sons e cores

Arquivos de julho, 2008

Todo mundo gosta de música. A palavra vem do grego mousiké, “das Musas” ou “das belas-artes”, mas o sentimento é todo seu, pessoal.
Por isso, essa arte ou ciência, que combina harmoniosamente os sons, é subjetiva. Nós – seres humanos e alguns animais – gostamos da música que nos toca a alma, que provoca algum sentimento, alegria, dor, saudade…


Assim, não há música boa ou ruim. Existe a nossa música, definição comum entre os apaixonados. Eu gosto da música que você não gosta, que ela gosta e que ele não gosta. Certo! Gosto não se discute? Discute, sim. É possível provar, cientificamente, que determinada música seja um plágio, por exemplo.
Em 1978, Jorge Ben Jor acusou Rod Stewart de ter plagiado o refrão de Taj Mahal (”Tê-Tê-Teteretê”), que foi usado em “Do You Think I´m Sexy?”. Rod culpou seu parceiro Carmine Appice pelo ocorrido, e cedeu os lucros da faixa ao Unicef em um show beneficente, em Nova York. Assim, Benjor não conseguiu receber pelo plágio.
Há um mês, o viúvo da pianista britânica Joyce Hatto, que faleceu no ano passado, aos 77 anos, admitiu que lançou no mercado CDs de virtuosos do piano, como Beethoven, Liszt, Rachmaninov, Schubert, Chopin, entre outros, cujas interpretações atribuiu à esposa para dar a ela, que sofria de câncer, a “ilusão de um grande final”. A maioria dos críticos musicais nem percebeu o plágio.
Há, também, os chamados ecléticos, do estilo “eu gosto de tudo que é bom”. Bom para eles. Sou menos eclético. Escolho a dedo minhas músicas, e as ouço até cansar. Veja exemplo no box ao lado.
Então, como os críticos musicais afirmam que isto presta, e que aquilo é um lixo? Usando bom senso e seus conhecimentos musicais e poéticos.
Isso porque a música é tradicionalmente dividida de acordo com três elementos organizacionais: melodia, harmonia e ritmo. Sem contar a letra, na qual entra, então, a poesia.
Bom, quando nos referimos aos aspectos do som nos deparamos ainda com uma lista mais abrangente de componentes: altura, timbre, intensidade e duração. Eles se combinam para criar outros aspectos: estrutura, textura e estilo, bem como a localização espacial (ou o movimento de sons no espaço), o gesto e a dança.
Para ficar apenas nos três primeiros elementos básicos, melodia, harmonia e ritmo e, claro, a letra, vamos – agora sim – escolher o que mais gostamos. Começando pelo ritmo: Jazz, soul, blues, rock, samba, sertanejo, pagode e por aí afora. Só para citar alguns, meus ritmos preferidos são “rock and blues”. Escolha o seu!
Leve em conta seu temperamento e os momentos dedicados à música. Para relaxar, para animar a festa, recordar “é viver, eu ontem sonhei com você”, ou até mesmo curtir uma fossa, como as famosas interpretações da saudosa cantora Maysa Matarazzo; Ronda, por exemplo.
Música para ETs
Melodia tem que ser agradável aos seus ouvidos, mais ou menos sensíveis aos acordes harmoniosos. Melodia é aquela seqüência musical que a gente sai assoviando, depois de um filme. Quem não se lembra dos acordes (que formam a melodia, junto com a harmonia e o tempo de execução das notas) do filme ‘Contatos Imediatos do Terceiro Grau’? Lá/Si/Dó/Sol/Ré/, com os quais os terráqueos se comunicavam com os extraterrestres, os ETs. Ou ainda aquela música infantil “Alegre Pastorzinho”, Dó/Ré/Mi/Fá/ Fá, Fá/. Dó/Ré/Dó/Ré/Ré, Ré/.Dó/Sol/Fá/Mi/Mi,Mi/. Dó/Ré/Mi/Fá/Fá, Fá/.
E, a harmonia, como a própria palavra indica, é a suavidade e sonoridade do estilo ou a disposição bem ordenada entre as partes de um todo. Ou seja, quando tudo combina bem e faz carícias em nossos ouvidos.
Aí, então, mas não finalmente, vamos para o canto, a poesia. A primeira coisa a se apreciar é a história que a letra da música conta. Depois, a rima entre as últimas vogais tônicas do verso e dos fonemas que eventualmente a seguem. Ou, quando não há rima, os versos são chamados de brancos.
A rima pode ser pobre (substantivo com substantivo: amor com dor); rica (adjetivo com substantivo: quente com frente); ou preciosa (quando a rima dos versos se utiliza de palavras com diferentes estruturas gramaticais: estrela com vê-la).
Com essas poucas regras, cada pode analisar suas músicas preferidas e concluir se realmente gosta ou não delas, sem se preocupar em definir o que é bom ou ruim.

Box
Uma das minhas músicas preferidas – e que me inspirou na redação do texto ao lado – é “Someday Baby”, com a qual Bob Dylan ganhou o prêmio Solo Rock Vocal Performance do Grammy de 2006. Essa faixa faz parte do álbum Modern Times, que lhe valeu o Grammy for Contemporary Folk/American Album.
Como a maioria já sabe, Dylan, nascido Robert Allen Zimmerman, em 24 de maio de 1941 (vai fazer agora 66 anos), no estado de Minnesota. Neto de imigrantes judeus-russos, aos 10 anos de idade Dylan escreveu seus primeiros poemas e, ainda adolescente, aprendeu piano e guitarra sozinho.
Dylan já lançou mais de 45 álbuns desde 1962, quando gravou seu primeiro disco, “Bob Dylan”, dedicado ao folk tradicional. Seu segundo álbum, “The Freewhellin’ Bob Dylan”(1963), contendo apenas canções de sua autoria, consagrou o músico com o hit “Blowin’ in the Wind”.
Vocês podem alegar que seja fácil escolher um disco premiado. Mas, posso garantir que o comprei no ano passado, assim que chegou às lojas, e que logo me apaixonei. Descontando os seus hits tradicionais, Like a Rolling Stone, por exemplo, esse é o melhor disco de Dylan, em todos os tempos. Poético, melódico e simplesmente rouco.

Bob Dylan – Someday Baby

I don’t care what you do, I don’t care what you say
I don’t care where you go or how long you stay
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more

Well you take my money and you turn it out
You fill me up with nothin’ but self doubt
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more

When I was young, driving was my crave
You drive me so hard, almost to the grave
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more

I’m so hard pressed, my mind tied up in knots
I keep recycling the same old thoughts
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more

So many good things in life that I overlooked
I don’t know what to do now, you got me so hooked
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more

Well, I don’t want to brag, but I’m gonna ring your neck
When all else fails I’ll make it a matter of self respect
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more

You can take your clothes put ‘em in a sack
You goin’ down the road, baby and you can’t come back
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more

I tried to be friendly, I tried to be kind
I’m gonna drive you from your home, just like I was driven from mine
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more

Living this way ain’t a natural thing to do
Why was I born to love you?
Someday baby, you ain’t gonna worry po’ me any more

Elvis

admin em jul-31-2008

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O Rock Morreu!

admin em jul-31-2008

Há músicas eternas, clássicas, inesquecíveis. E ritmos contundentes, definitivos. Nos últimos 100 anos, o mundo musical viu surgir quatro ritmos mundiais importantes: o jazz, o blues, o country e o rock.O rock, seguramente é o caçulinha de todos. Tem (apenas) 60 anos, enquanto o jazz nasceu em Nova Orleans no início de 1800, o blues em 1903, e o country em 1920, embora o termo tenha sido adotado nos anos 40.

Sem contar os ritmos sul-americanos como o tango (criado por volta de 1900), bolero (1883), nosso samba (também por volta de 1900), que são sucessos locais. Mas, internacionalmente, depois do rock, nada mais aconteceu.Por isso, eu o chamo de definitivo, talvez eterno, pelo menos até agora.Esse ritmo, apontado como frenético, já sofreu variações como o twist e o hully gully, surgidos na década de 60, mas logo depois esquecidos, solenemente abandonados.

Deu origem ao punk rock, hard rock, ao rock progressivo, ao rock balada que, sabiamente, mantiveram o vínculo com o original, ao contrário dos desaparecidos twist e hully gully.Tampouco qualquer outro ritmo construiu superstars, as megaestrelas como Elvis Presley, Beatles, Rolling Stones e dezenas de outros, ou as mais recentes Madona, Amy Winehouse. Na verdade, o rock continua presente em corações e mentes em muitas releituras e variações sobre o mesmo tema. Nada novo, porém renovado. A nova geração roqueira que ouve McFly, Rihanna, Colbie Caillat, Avril Lavigne, The Strokes, The Cure e por aí afora, não dispensa uma releitura dos Beatles, dos Stones e até de Elvis Presley.São as tribos dissecando o bom e velho rock’n roll, ouvindo rock cru ou novos ídolos dançantes como o inglês James Blunt e seus melosos temas novelescos You’re beautiful e Same mistake.

Três pilares

Goste-se ou não, a civilização do terceiro milênio, dos dias que vivemos, tem três pilares: democracia, capitalismo e cultura norte-americana. Assim como os filmes de Hollywood ditam o padrão de todas as “wood” cinematográficas, o rock é a trilha sonora da época.E está intimamente ligado ao capitalismo e à democracia. Por que, sem liberdade econômica e de expressão, nada das pedras rolantes. Sem sociedade de consumo, quem bancaria astros bilionários (sim, em bilhões) como Paul McCartney, um dos dois Beatles que sobreviveram à loucura assassina de alguns fãs (que nos levou John Lennon) ou a doença (o câncer que vitimou George Harrison).A sociedade que predomina no mundo – mais ou menos democrática, mais ou menos capitalista – balança ao som das últimas cinco ou seis décadas. Talvez pela flexibilidade do rock, que pode embalar um romance, ao som de One Day (at Time), de John Lennon, na voz de Elton John, ou Sweet Child O’Mine, do Guns & Roses.Pode sacudir o  esqueleto com qualquer música do Sepultura. Ou viajar por todas as dimensões, ouvindo, de cabo a rabo, “Selling England by the Pound”, do Genesis, quando o grupo era formado por … Peter Gabriel, Steve Hackett, Tony Banks, Mike Rutherford e Phil Collins.E experimentar novos horizontes com o Yes, da fase de Rick Wakeman. Ou discutir, com ares de entendedor, sobre o melhor guitarrista do rock’n roll – Eric Clapton, Jimi Hendrix, Jimmy Page ou Van Halen?Sob os acordes de guitarras frenéticas, na percussão dos mestres, ou até nos pianos ousados (por que não?), rolam, hoje e sempre, as pedras. E o rock renasce todas vez que algum jovem se encanta com o som irreverente da mais nova banda, como o McFly, enquanto descobre por que os Beatles jamais serão esquecidos. Que ritmo fez, faz ou fará esta diferença, se não o velho e bom rock? Chuck Berry Fields forever!

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