Nereu Leme
Lucille, Blond Angel, Bety, Blood Mary e outras mulheres,
emprestam seu nome e charme para as chorosas guitarras
Nada como o choro de uma guitarra – para quem gosta de rock, claro – como em While My Guitar Gently Weeps, de George Harrison (Beatles), com uma litlle help (pequena ajuda) de Eric Clapton.
Mas, o que é uma guitarra, para o guitarrista, senão uma mulher, com todas as suas formas, como a primeira Gibson Les Paul (inventor da guitarra com corpo sólido), criada no começo dos anos 50, e lançada em 1952, ou quase 60 anos atrás, quando nascia o próprio rock’n roll. Ou o caso mais recente de leilão de uma guitarra queimada. Quem compraria uma guitarra queimada? Detalhe, essa guitarra, uma Fender Stratocaster de 1965, foi usada 40 anos atrás por Jimi Hendrix em um de seus famosos shows, no London’s Finsbury Astoria, em março de 1967. O leilão será no começo de setembro e tem lance inicial de cerca de 600 mil euros.
Na ocasião, Hendrix teve de ser levado a um hospital, devido às queimaduras de segundo grau, provocadas pelo ritual com o qual costumava encerrar suas apresentações. A guitarra foi recuperada por sua equipe e permaneceu até o ano passado na garagem do ex-empresário de Hendrix, Tony Garland.
Já o The Who, de Pete Townshend, costumava destruir a guitarra no palco, o que me lembra a manchete infame do extinto jornal Notícias Populares “Violada no palco”, quando Sérgio Ricardo, no Festival de Música Popular Brasileira transmitido pela TV Record, na década de 60, foi vaiado pelo público ao cantar Beto bom de bola, e nervoso, quebrou o violão e o atirou contra a platéia. A manchete, no entanto, insinuava outra coisa.
Voltando à guitarra, São Paulo e Rio de Janeiro assistiram no final de julho último, ao também chamado deus da guitarra Joe Satriani (o título de God foi inicialmente atribuído a Eric Clapton, o eterno e verdadeiro Deus da guitarra). Coincidentemente, Satriani começou a tocar guitarra após a morte de Jimi Hendrix. Até então tocava bateria. Satriani já foi professor de alguns guitarristas famosos tais como Steve Vai, Kirk Hammet do Metallica, David Bryson do Counting Crows, entre outros.
Desde a invenção da guitarra, que evoluiu do violão com caixa acústica (há também o violão eletro-acústico) para o instrumento com corpo sólido, muitas marcas, modelos e estilos apareceram no mercado musical. Desde as famosas Gibson e Fender até as chamadas de segunda linha como a Epiphone, ou as exclusivas feitas por grandes luthiers.
E, mais recentemente, a Guitarra Robô da Gibson. Para afinar o seu instrumento, o músico aperta um botão no corpo da guitarra e palheta as cordas. As tarrachas de afinação giram de um lado para o outro, sozinhas, e após cerca de 15 segundos a guitarra está afinada em um novo tom, ou até mesmo em uma combinação customizada de notas.
A escolha cabe ao gosto do freguês. A guitarra só exige ser tratada com respeito, como uma mulher. Aliás, como a maioria dos guitarristas famosos é homem, não se conhece nenhuma guitarra com nome masculino, como Joe, Pete, Paul etc. O instrumento é o reflexo do músico, como os japoneses dizem dos sushi man: para saber se o sushi man é bom ou não, observe sua faca.
A guitarra também é como um rádio. Ela foi feita para ser transportada para todo lugar e para o músico contar sua história com ela. Como fizeram os 10 maiores tocadores das seis cordas mágicas: Jimi Hendrix, Duane Allman (ambos mortos), B. B. King, Eric Clapton, Robert Johnson, Chuck Berry, Steve Ray Vaughan, Ray Cooder, Jimmy Page e Keith Richards.
Bons riffs!



