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Música, sons e cores

Arquivos de novembro, 2008

Sensações e emoções facilitam a lembrança de canções

 

Nereu Leme

 

Música é a expressão da alma. É sentir uma emoção com o coração e com a razão. Nesse sentido, o teólogo e filósofo Santo Agostinho dizia que cantar é rezar duas vezes.

Talvez por isso, a música é mais facilmente memorizada do que outras formas de informação para nosso cérebro.

Geralmente temos dificuldades para decorar ou memorizar um pequeno texto. No entanto, nos lembramos imediatamente de dezenas de músicas, muitas vezes a partir de uma única nota (qual é a música?) ou um rif de guitarra.

Como a música não faz cobranças, está aí para distrair, entreter, ela se fixa facilmente em nosso subconsciente. Além disso, a música associa três elementos organizacionais: melodia, harmonia e ritmo. Outros elementos da música se combinam para compor outros aspectos como localização espacial, ou o movimento dos sons no espaço, que também ajudam a criar a memória musical.

Para facilitar essa lembrança, existem ainda diversas técnicas de uma ciência chamada Mnemotécnica ou Menmônica que era praticada pelos antigos gregos, pelos fenícios e árabes. A título de curiosidade, antes da invenção do primeiro alfabeto linear – por volta de 1.700 a.C., pelos fenícios – todo o processo de transferência da informação era basicamente oral e, por isso, eles precisaram desenvolver técnicas eficazes de memorização para garantir sua unidade política, social e religiosa.

O princípio das técnicas mnemônicas consiste em estabelecer associações entre as informações a serem memorizadas. Assim, a música é um belo exemplo de associação entre melodia, harmonia e ritmo, sensações, emoções.

Outra coisa boa que a música faz é nos remeter ao passado, aos bons momentos. E aí, fatalmente, vem à lembrança a letra In My Life, dos Beatles: há lugares dos quais vou me lembrar por toda a minha vida; todos esses lugares tiveram seus momentos.

Ouvindo uma música do passado, podemos nos lembrar de cores e até de cheiros. Quando ouço Monday, Monday, dos The Mamas and The Papas, lembro-me claramente do cheiro do perfume Pino Silvestre, que fez muito sucesso na década de 60.

A música Brucutu, da época Jovem Guarda, lembra as brincadeiras da garotada roubando uma pequena peça do capô dos fuscas, por onde saía a água para lavar o pára-brisa – chamada de brucutu – para fazer anel de roqueiro.

Os especialistas dizem que nossa memória registra melhor os fatos carregados de emoção ou que envolvam todos os sentidos como audição, olfato, paladar, tato e visão. Quem não se lembra da música que embalou um grande romance, a música dos apaixonados. Uma música como Love Story, ou When a man loves a woman, A Wither Shade of Pale, com Procol Harum, Macarthur Park e por aí afora, ninguém esquece.

Se fosse falar em Beatles, então, a lista seria interminável. Mas, algumas merecem ser rememoradas como What You’re doing, I don’t want to spoil the party (Beatles For Sale), You like me too much (Help).

Lembre-se e cante!