Sinal dos tempos, a década atual não produziu muita coisa
Nereu Leme
Sinal dos tempos. Quase no final da primeira década do terceiro milênio não vejo e nem ouço nada de novo no final do túnel, ou como disse o velho e bom Bob Dylan em seu último disco, na música Beyond the Horizon (além do horizonte, seguindo o sol).
Revisitando uma longa lista de grupos de rock e roqueiros – feita com a ajuda inestimável do Wikipédia – percebi que nesta década de 2000 nada ou quase nada surgiu na constelação musical internacional.
Alguns poucos registros são para solistas ou conjuntos pouco conhecidos como Avril Lavigne, cantora canadense de pop rock, surgida em 2002; os ingleses Franz Ferdinand e Gorillaz, indie rock e rock alternativo, em 2001; e os também ingleses McFly, pop rock, e Panic at the Disc, rock alternativo, ambos surgidos em 2004.
Desde as décadas de 40 e 50, com Bill Haley e Budy Holly, que surgiram em 1946 cantando rockabilly, e depois rock and roll, a partir do nascimento do rock em 1948, passando por Elvis Presley, em 1953, Chuck Berry, em 1955 e Bob Dylan, em 1959 (entre outros), a grande revolução musical do século 20, aconteceu na década de 60 com Beatles, Beach Boys, The Animals, The Hollies, The Rolling Stones, The Birds, Lynyrd Skynyrd, The Who, The Doors, Pink Floyd, Cream, Jimmy Hendrix, Creedence Clearwater Revival, Genesis, Steppenwolf, The Stooges, Black Sabbath, Deep Purple, Grand Fundk Railroad, Jethro Tull, Led Zeppelin, Yes, Nazareth, The Allman Brothers Band, Crosby, Stills, Nash & Young, Focus, Judas Priest, Uriah Heep, Simon & Garfunkel, apenas para lembrar as figurinhas mais carimbadas.
A década seguinte, de 70, ainda tem alguma coisa boa, como Aerosmith, America, Emerson, Lake & Palmer, Queen, The Doobie Brothers, The Eagles, Kansas, AC/DC, Bad Company, Kiss, Ramones, Rush, Talking Heads, Van Halen, Iron Maiden, The B-52’s, U2, Def Leppard, Dire Straits, The Police e Whitesnake. Teve também um pouco de punk rock, pós-punk e rock gótico como The Clash, The Cure, New York Dolls e Sex Pistols.
Já na década de 80 é preciso muito horizonte para enxergar e principalmente ouvir (ter paciência de) alguma coisa razoável, além de Guns N’ Roses e R.E.M. Talvez Tears for Fears, Alice in Chains, Green Day. Nada em 90 mas, para não passar em branco e com muito boa vontade, pode-se citar Oasis e Pearl Jam. E só.
Bom! Isso sem contar que muitos desses bons conjuntos ou intérpretes já desapareceram ou passaram da linha do horizonte. E nós ficamos a ver navios e a ouvir o som do silêncio, aliás uma grande música de Simon e Garfunkel “The sound of Silence”, lançada num álbum acústico, em 1964. No ano seguinte – sem conhecimento da dupla – a gravadora lançou um single dela incluindo guitarra, baixo e bateria, e transformando-a em sucesso.
Até o final de década ainda temos este ano inteiro, que se inicia, e 2010. Quem sabe ainda teremos boas surpresas até lá.
Boa observação do pôr-do-sol além do horizonte!