
1001 discos para ouvir antes de morrer
Nereu Leme
Os discos são a trilha sonora de nossas vidas, como bem definiu Robert Dimery, diretor-geral da obra em questão. Alguns discos, principalmente os de vinil, nos acompanham pela vida inteira. São marco especial de nossa adolescência, capturam o momento do primeiro amor, nos remetem a acontecimentos memoráveis. Resgatam cheiros, lugares In My Life.
Depois de 1001 lugares para visitar antes de morrer e 1001 filmes para ver, agora chega às livrarias 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer.
Lançado no final do ano passado, 1001 discos para ouvir antes de morrer, foi selecionado por 90 jornalistas e críticos de música internacionalmente reconhecidos. Os grandes discos lançados nos últimos 50 anos estão nesse livro com 960 páginas e mais de 900 imagens de álbuns, cantores e bandas. Começa com o rei da voz, Frank Sinatra, e logo em seguida enverada pelos caminhos do rock, com o primeiro álbum do rei Elvis Presley, lançado em 13 de março de 1956, com Blue Suede Shoes e I Got a Woman, uma composição clássica de Ray Charles. Aliás, Michael Lydon, editor e co-fundador da Rolling Stone – que fez o prefácio do livro – disse que logo após a morte de Ray Charles ouviu seu discos Genius Love Company e chorou.
Abrangendo desde as origens do rock’n roll dos anos 50 aos mais recentes sucessos, este livro pode nos guiar por diferentes tendências sonoras e mostrar o poder da música de representar as aspirações e os sentimentos de toda uma geração.
Embora grande parte do livro seja dedicada ao rock e ao pop, há também dezenas de boas indicações de jazz, blues, punk, heavy metal, disco, soul, hip-hop, música experimental, world music, dance e muitos outros estilos.
Cada álbum citado é contextualizado historicamente e os comentários sobre as músicas são acompanhados de curiosidades sobre as gravações, os bastidores ou a vida dos artistas. Nesse livro, com mais de 900 imagens, pode-se encontrar discos que alguns consideram irrelevantes e descobrir pérolas que não imaginávamos existir, como por exemplo Tragic Songs Of Life, do The Louvin Brothers, de 1956. Essa dupla country inspirou os The Everly Brothers, que por sua vez inspiraram o vocal dos Beatles. John e Paul – quem diria – queriam formar uma dupla, antes dos Beatles se materializarem . Em A Date With The Everly Brothers, de 1960, eles cantam, por exemplo, a canção Love Hurts, que nos acostumamos a ouvir com o conjunto Nazareth ou Rod Stewart.
Os grandes discos lançados nos últimos 50 anos como What’s Going On, de Marvin Gaye, ao extraordinário álbum conceitual de David Bowie, The Rise And Fall Of Ziggy Stardust, passando por inúmeros outros.
1001 discos explora a fundo a história da música universal e apresenta ícones tão diversos quanto Beach Boys e Nirvana. Além de álbuns e artistas já consagrados, pode-se encontrar referências mais exóticas, como o Einstürzende Neubauten e o Aphex Twin.
O editor do livro destaca algumas curiosidades como o que é a estranha participação de Paul McCartney em Rings Around the World do Super Fury Animals. No disco aparece o som de Paul mastigando aipo.
Qual o seu disco preferido? Que tipo de recordação desperta? Você já fez sua lista dos 1001 discos para ouvir antes de morrer? Vale à pena começar.