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Música, sons e cores

Arquivos de agosto, 2009

 Patty Boyd

Nereu Leme

Para o bem e para o mal. A globalização mudou as relações comerciais, sociais e culturais em todo o mundo. E, claro, inclusive no Brasil.

Auxiliada pelos modernos sistemas de comunicação, Internet, Orkut, blogs, twitter e nossos maravilhosos tocadores de MP3, tudo ficou instantâneo, de fácil consumo e, muitas vezes, descartável. Longevidade parece ser uma terminologia do passado. Ainda bem que só as “coisas” passam rapidamente, enquanto ao menos nós – seres humanos – ganhamos um pouco mais de tempo de vida. Para o brasileiro, a expectativa de vida passou de 69,3 anos, em 1997, para 72 anos, em 2007, para os homens e 76,5 anos, para as mulheres. Elas são mais românticas. Percebeu?

Alguns se perguntam: mais tempo para quê? Bem, todo mundo quer viver mais e curtir a vida. É só saber escolher o que fazer, onde e como.

Ler e ouvir música são bons passatempos. Meus amigos reclamam que a globalização trouxe mais eficiência, mais tecnologia, porém lamentam que o romantismo ‘descansa em paz’.

Outro dia li alguns comentários sobre o novo livro de Chico Buarque, Leite Derramado, dizendo que como contista ele é um bom letrista e que devia, portanto, continuar fazendo música. Ah, a música, nossa musa.

Também ouvi uma música, na minha preferida Kiss FM, que usa, exageradamente, aquele palavrão inglês – que o norte-americano não tira da boca – insinuando que ele (o compositor) estava se “lixando” para o dinheiro da mulher e para sua fama, usando o dito palavrão. Quanta poesia…

O Frejat, um dos fundadores do Barão Vermelho – e que já foi parceiro de Cazuza – afirmou, em uma entrevista televisiva recente, que a música brasileira anda sem conteúdo. Concordo plenamente. Tirando aqueles ritmos inaudíveis (que não dá nem para comentar) nossa pobre música popular, rock etc anda ruim da cabeça ou doente do pé (trecho do Samba da Minha Terra, de Dorival Caymi).

Com a instantaneidade de tudo, as gravadoras procuram hits de consumo fácil, rápido. Se a música tem alguma batida diferente ou ritmada, quem se importa com o conteúdo? Devem pensar os dirigentes das gravadoras. Eu me importo!

Saudades! Como diz o anjinho do antigo e saudoso seriado Sítio do Pica-Pau Amarelo. Saudades da poesia simples e romântica dos Beatles, como em For You Blue, de George Harrison: Because you’re sweet and lovely girl I love you (porque você é doce e adorável garota eu a amo). Ou o “God” Eric Clapton que seguramente conquistou a ex-mulher do seu amigo George Harrison, Pattie Boyd, com a lírica Wonderful Tonight: And I say yes, you look wonderful tonight (e eu disse sim, você está linda esta noite).

Ela parece um arco-íris. Já pensou dizer isso para uma mulher? É o que exprime a letra de She’s A Rainbow, dos Rolling Stones: She comes in colors everywhere, she combs her hair… She’s like a rainbow. Come in colors in the air. Oh everywhere, she comes in colors…

É a poesia em cores.

Em uma de minhas colunas, no final de 2006, escrevi que Caetano Veloso (no lançamento de seu CD Cê) afirmou que “há canções demais nesse mundo”, o que também explica a falta de qualidade de muitas delas.

Com a globalização e o download de músicas píer to píer (de computador para computador) pode-se escolher as que mais nos agradam e ainda descobrir novidades. E para quem não quer baixar arquivos ilegalmente (o que não deve ser feito mesmo porque é crime de pirataria), existem as rádios digitais como a Lastfm.com.br, em português, com músicas que podem ser apenas ouvidas ou baixadas gratuitamente (legalmente).

 Tem uma tabela indicando os artistas mais ouvidos. Assim, você leitor pode acompanhar a multidão ou fugir dos hits e buscar suas próprias conquistas. Nessa rádio, é possível ainda se registrar como artista e incluir suas composições.

Bom passatempo com bom conteúdo!