
Sofrimento, drogas, homossexualismo e rock and roll
Nereu Leme
Foi-se o tempo em que rebeldia podia ser traduzida por “drogas, sexo e rock and roll”. Rebeldia e genialidade – aquela com a qual aprendemos conviver no show business, desde a invenção do rock’n roll e o surgimento dos Fab Four (The Beatles) – estão ganhando novas tintas vermelhas como sangue e pretas como os escândalos.
Drogas e rock and roll ainda estão associados. Mas o sexo deve ser mudado para homossexualismo ou bissexualismo, para ser mais brando.
Mais como curiosidade do que como arte, e que pode irritar os beatlemaníacos como eu, principalmente pelo fato do acusado não poder mais se defender, essas insinuações fazem parte do livro de Philip Norman, jornalista e escritor inglês de 66 anos que já escreveu as biografias dos Beatles, de Buddy Holly, dos Rolling Stones e de Elton John.
Em seu novo livro, “John Lennon: a vida”, Philip Norman faz uma série de insinuações sobre o eterno líder dos Quatro Rapazes de Liverpool, inclusive sugerindo que ele tinha tendências homossexuais ou bissexuais. O livro foi lançado em outubro de 2008 nos Estados Unidos e já chegou ao Brasil (traduzido) em março deste ano. Com 851 páginas, já está disponível no Brasil, nas grandes livrarias.
Norman atribui essas tendências homossexuais aos momentos difíceis vividos por John Winston Lennon, nascido em 8 de outubro de 1940, em Liverpol (UK) e morto em 8 de dezembro de 1980, em Nova York (EUA). O livro mostra a complexa personalidade de John Lennon, que nasceu num lar conturbado e admitiu para amigos ter chegado perto de fazer sexo com a própria mãe na adolescência.
Philip Norman descreve John como bissexual e apaixonado por McCartney. Lennon – segundo o autor da biografia – tinha ainda uma fixação estranha pelo amigo Stuart Stucliffe, o Stu, e fez uma estranha viagem de 10 dias para a Espanha com o empresário da banda, Brian Epstein, gay assumido. No retorno, o próprio Lennon costumava brincar sobre seu relacionamento íntimo com Epstein. Sempre achamos que era mesmo apenas brincadeira.
O livro também mostra John como um encrenqueiro na escola. E quando Paul McCartney se juntou ao grupo Quarrymen, em 6 de julho de 1957 (o grupo foi fundado por Lennon em março desse ano), seus pais o alertaram de que ele teria problemas andando com John.
John Lennon cresceu num subúrbio de Liverpool após o fim da Segunda Guerra. Seu pai, Alfred Lennon, era mercador marítimo e passava longas temporadas fora de casa. Numa dessas ausências, sua mulher Júlia, engravidou de um soldado galês. O episódio ocasionou a separação do casal. Depois disso Julia passou a viver com Bobby Dykins, um garçom de hotel que Lennon odiava, com quem teve outras duas filhas, irmãs de Lennon por parte de mãe.
A primeira crise marcante da vida de John Lennon foi quando seu pai Alfred (ou Alf) o seqüestrou com a desculpa de levar o filho para comprar roupas. Depois de três semanas, o golpe não deu certo e Lennon voltou para casa com Júlia.
A irmã mais velha de Júlia, Mary Elizabeth Smith, a Mimi, foi quem criou John. Enfermeira casada com o leiteiro George, Mimi cuidou de John como se ele fosse seu filho, embora ele encontrasse Júlia regularmente e a chamasse de mãe. Mimi reprovava idéia de John se tornar artista. Dizia que fazer música não o levaria a lugar algum, além de ter o hábito de jogar suas poesias e desenhos no lixo.
Aos 15 anos, John perde o tio George (que ele considerava um segundo pai). Três anos depois, perde a mãe, atropelada por um policial alcoolizado. John era fascinado pela mãe, a única pessoa que entendia seus dotes musicais. Ela cantava e tocava banjo e o ensinou a tocar músicas de Elvis Presley.
Lennon sempre foi mesmo controverso. Até agora, depois de morto. Teve passagens contundentes como “somos mais populares que Jesus”, em 1966 para o jornal London Evening; ou quando disse numa apresentação à corte inglesa “quem estiver sentado nos lugares mais baratos bata palmas, os demais chacoalhem as jóias”. Ou quando George Harrison pediu para ele opinar sobre uma composição sua disse: “não basta eu ter que corrigir as músicas do Paul agora vou ter que corrigir as suas também”. Ou ainda quando afirmou que a única coisa boa que Paul fez foi “Yesterday”.
E muitas outras, depois do fim dos Beatles, em 1970, Lennon continuou suas controvérsias com ativista político pela paz. Nunca foi feito um concerto para John, como foi feito para George Harrison.
McCartney contestou o livro. Em entrevista ao tablóide inglês The Sun, disse que não acredita na história de que John Lennon tinha fantasias sexuais com ele. “Eu não acho que os rumores sejam verdadeiros. John nunca tentou nada comigo. Se ele tinha alguma tendência gay e vivia embriagado, eu o teria descoberto pelo menos uma vez”, completou.
I don’t want to spoil the party, eu não quero estragar a festa! Boa leitura.
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