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Música, sons e cores

 

israel-iz

Nereu Leme

Música tem cor, cheiro, forma e influências regionais. E instrumentos originais criados a partir do tipo de expressão cultural de um povo. Um desses instrumentos, com nome estranho, mas que é a cara do povo havaiano, é o Ukulele, que no idioma do Havaí significa pulga saltadora. Mais parece um brinquedo ou um instrumento para criança. Mas, quem toca nele se apaixona.

É especial, com um som melódico semelhante a um pequeno violão. Tem apenas quatro cordas de naylon afinadas em , mi, e sol. A sua escala é composta por 17 trastes, como o cavaquinho, aliás, de quem é primo distante.

O meu ukulele, que meu amigo Paulo Corradini trouxe de Londres, chora como gente grande, como um violão, ou como uma guitarra. No YouTube encontrei o vídeo de um músico amador tocando While My Guitar Gentle Weeps, que ele chamou de While My Ukulele Gentle Weeps.

É claro que as melodias executadas nesse instrumento, com menos recursos que um violão ou uma guitarra, fiquem mais simples, sem muitas passagens ou notas dissonantes. A intenção, no entanto, é outra. É fazer a batida folclórica havaiana, que se aproxima um pouco do raggae jamaicano dos anos 60.

O ukulele ou ukelele, também muitas vezes chamado erroneamente de guitarra havaiana, tem origem em dois instrumentos tradicionais da Ilha da Madeira. O machete madeirense (também conhecido por braguinha, que por sua vez tem origens no cavaquinho português) e o rajão (viola de cinco cordas da Madeira), que foram levados pelos madeirenses quando emigraram para o Havaí para trabalhar no cultivo da cana-de-açúcar naquelas ilhas.

O ukulele é principalmente utilizado na música nativa do Havaí, mas nas décadas de 1930 e 1940 foi utilizado por cantores e humoristas britânicos e norte-americanos, mais notadamente George Formby. George Harrison utilizou o instrumento com destaque em várias músicas de seu álbum “Brainwashed“, lançado postumamente. Uma delas é Between The Devil And The Deep Blue Sea. A mãe de John Lennon, Júlia Lennon, além de tocar banjo (que ensinou a John) também tocava um pouco de ukulele.

Na atualidade, quatro músicos ainda usam o instrumento como o cantor, compositor e guitarrista sueco Jens Lekman, o multi-instrumentista britânico Patrick Wolf, o cantor americano Zach Condon dos Beirut, e a cantora de Nova Iorque, Julia Nunes. Eddie Vedder, da banda Pearl Jam, só usa um ukelele em algumas apresentações, e a cantora francesa Soko também se apresenta com o instrumento em algumas canções.

O uso do ukulele não se limita ao Havaí ou aos Estados Unidos e Inglaterra. No Brasil, a cantora Marisa Monte incluiu o instrumento em seu recente álbum Infinito ao Meu Redor.

Mas, o grande intérprete, compositor e músico de Ukulele foi o havaiano Israel Kamakawiwo’ole, também conhecido como “Braddah IZ”(20 de Maio de 195926 de Junho de 1997).

No Havai, sempre foi famoso não só pela música mas pelas letras que exprimiam o amor pela sua cultura e raízes (Israel era descendente de uma linhagem pura de nativos havaianos). Também nunca ocultou a sua posição a favor da independência do Havai e em defesa dos direitos dos havaianos.

Um de seus álbuns mais famosos foi “Facing the Future”, de 1993, que o lançou para a fama mundial, com o tema “Over the Rainbow/What a Wonderful World”, onde apenas se ouvem a sua voz suave acompanhada pelo seu ukulele.

Durante sua carreira musical, Iz enfrentou muitos problemas de saúde relacionados com o seu peso excessivo. Ele chegou a pesar 343 kg, com 1,88 m de altura. Aos 38 anos, faleceu devido a problemas respiratórios causados pela obesidade mórbida.

Porém, em todos os cantos do Havai, ainda se escuta sua música.

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